Festa à brasileira no DocLisboa 2009
A cultura brasileira está muito bem representada na grande festa internacional do cinema documental em Portugal que é o DocLisboa 2009, com um total de 9 filmes.
O Brasil compete em 3 categorias internacionais, com: “Acácio”, de Marília Rocha (longas-metragens), “A Casa dos Mortos”, de Débora Diniz (curtas metragens), e “De Volta À Terra Boa”, de Vicente Carelli (“Investigações”). Para além disso, estarão ainda em exibição no DocLisboa 2009 seis outros filmes.
Na seção “Heart Beat” – reservada a documentários onde a música é um elemento fundamental – encontramos dois sobre a vida e obra da cantora Maria Bethania, “Bethania Bem de Perto – A Propósito de um Show”(1966), de Júlio Bressane e Eduardo Escore, e “Pedrinha de Arruda” (2007), de Andrucha Waddington, para além de “Saravah”,
do francês Pierre Barouh, rodado em 1969 no Rio de Janeiro e lançado há poucos anos, retratando os ancestrais Pixiguinha e João da Baiana, e os então bem jovens Maria Bethania, Paulinho da Viola e o saudoso Baden Powel.
Pierre Barouh deslocou-se (Domingo 18) propositadamente a Lisboa para apresentar pessoalmente o seu filme, exibido numa das maiores salas do festival, e aplaudido de pé por um público conhecedor, que contava com a presença marcante da comunidade brasileira, neste momento já a maior comunidade imigrante em Portugal. Marysa Alfaia, brasileira, que conheceu Pierre Barouh em Paris como atriz no final da década de 80, hoje cantora trabalhando e residindo em Lisboa, disse a “quadros-cultura.com” apreciar muito esta interligação da cultura brasileira com a européia. Pierre Barouh confessou a “quadros-cultura.com” ter ficado muito emocionado em rever as imagens feitas há tanto tempo,
e muito agradecido pelo carinho com que foi recebido por portugueses e brasileiros. Revelou ainda que está a trabalhar em novos projetos sobre o Brasil. O diretor do documentário juntou-se depois ao público, numa festa alusiva ao filme, que se prolongou pela noite dentro, e todos curtiram e dançaram ao som das canções de “Saravah”, com uma banda brasileira “ao vivo e a cores”.
Ainda nesta seção, outro importante documentário apresentado ontem (2ª feira 20) foi “Saudade do Futuro”, realizado por Marie Clémence (natural de Madagascar) e o brasileiro César Paes, casal de realizadores sediados em Paris, da Laterit Productions. “Saudade do Futuro” narra com muita precisão a história dos nordestinos pobres que viajam para o sudeste com objetivo de encontrar fama e fortuna, ou pelo menos uma vida melhor, na “cidade grande” de São Paulo. Marie Clémence, que está em Lisboa para divulgar o documentário e faz também parte da equipe de jurados na competição internacional de curtas-metragens, disse a “quadros-cultura.com” que durante o processo de realização de “Saudade do Futuro” testemunhou bem de perto a discriminação que nordestinos sofrem em São Paulo, e que apesar do filme já ter participado de festivais no Brasil e no exterior,
com exibições nos Estados Unidos e Europa, ainda não conseguiu vender o documentário para o Brasil. Confessou já ter ouvido comentários do género “nordestinos não vão ao cinema”. “Saudade do Futuro” terá repetição 6ª feira, dia 23, pelas 19h30 na Sala 1 do Cinema São Jorge. Os nordestinos em Lisboa estarão lá em peso!
Já na seção “FootDoc”, onde o futebol é muitas vezes tema central de filmes, temos um documentário narrando a história do jogador Garrincha, considerado um dos melhores de sua época, “Garrincha, Alegria do Povo” (1966), de Joaquim Pedro de Andrade.
O brasileiro crítico de cinema e diretor do Festival Internacional “É Tudo Verdade” (Cinemateca Brasileira de São Paulo e Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro), Amir Labaki, apresenta no DocLisboa 2009, em “Sessões Especiais”, a sua estreia como diretor de longas-metragens, com uma homenagem ao cineasta europeu Jorgen Leth, “27 Cenas Sobre Jorgen Leth” (2008).
“Qual a nacionalidade de um filme? São os autores, é o dinheiro, o local das filmagens?” – foi um questionamento colocado pela diretora malgache e membro do juri internacional DocLisboa 2009, Marie Clémence Paes, no seu português impecável – “No Brasil nunca ninguém me perguntou de onde eu vinha. Já na França sempre me perguntam isso”. A riqueza da cultura brasileira, na sua abrangência e diversidade, consegue esta infiltração cultural global, como é bem patente neste DocLisboa 2009.





Parabéns pela blog e continue assim divulgando nossa cultura forte abraço e conte sempre conosco
Obrigada Cesar por seu comentário Contaremos sempre com os Piratas do Ar e com a rádio Record, assim como vocês podem contar conosco.