Quatro dias de Mostra de Cinema Brasileiro em Lisboa

Terminou domingo (8) a IV Mostra de Cinema Brasileiro, realizada pela Fundação Luso-Brasileira, no Cinema São Jorge, em Lisboa, prestando homenagem ao diretor Domingos de Oliveira e ao ator e também diretor Matheus Nachtergaele.
Com o objetivo de apresentar o cinema brasileiro contemporâneo ao público português e à comunidade brasileira residente em Portugal, a festa iniciou-se quinta-feira (5) com a exibição de “Juventude”, de Domingos de Oliveira, que teve mais três filmes exibidos: “Feminices”, “Separações” e “Carreiras”. A presença do ator, dramaturgo e cineasta carioca, considerado o “Woody Allen brasileiro”, era muito esperada na Mostra mas, por motivos de saúde, não pôde comparecer.
Devidos a problemas técnicos, dois filmes ficaram ainda por exibir: “Meu Nome Não é Johnny”, de Mauro Lima – o filme mais visto no Brasil em 2008 – e “Auto da Compadecida”, de Guel Arraes. Apesar dos transtornos com a exibição, o público mostrou com entusiasmo o desejo de prestigiar a festa do cinema brasileiro, como se provou pela quantidade de pessoas à procura de bilhetes.
Além dos quatro filmes de Domingos de Oliveira, que marcaram um dia inteiro dedicado ao diretor, o último dia foi reservado a exibições relacionadas com Matheus Nachtergaele, incluindo a sua estreia como diretor, “A Festa da Menina Morta” (2008).
Matheus Nachtergaele, conhecido ator brasileiro por vários trabalhos realizados, entre eles “O Auto da Compadecida” (Guel Arraes, 2000), “Tapete Vermelho” (Luiz Alberto Pereira, 2006) e “A Concepção” (José Eduardo Belmonte, 2006) – todos também em exibição na Mostra – passou o dia no Cinema São Jorge, confraternizando com o público e apresentando seu filme de estreia como diretor (“A Festa da Menina Morta” 2008), ouvindo e respondendo a perguntas da platéia sobre seu trabalho e vibrando com a exibição do mesmo.
A “quadros-cultura.com” Matheus falou da satisfação de estar apresentando sua obra em terras Lusas: “Para mim, estar em Portugal é como estar em minha segunda casa. É sempre bom voltar a esta terra. É como visitar a sua mãe ou a sua tia”. Sobre a televisão e o cinema Matheus comentou que “a televisão tende a se acachapar num tipo de linguagem e num tipo de estética, e pessoas como Guel Arraes são um oásis, que fazem a televisão respirar”. Anunciou ainda seus novos projetos: “Fazer um mini festival de monólogos, ensaiar 4 peças ao mesmo tempo e sair viajando com elas, e estou já a engendrar um novo filme, ‘O Furo no Muro’, para além de vários projetos como ator em cinema”.
Foram exibidos ainda: “Romance”, de Guel Arraes (2008), “Santiago”, de João Moreira Salles (2007) e “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky (2008).
Entre os apreciadores do cinema brasileiro, esteve presente o ilustre cineasta português Lauro António. Critico há 50 anos, diretor premiado e autor de vários livros sobre cinema, Lauro António dirige atualmente o festival internacional português CINE ECO – Cinema e Vídeo de Ambiente, que tem um irmão gêmeo no Brasil, o FICA, em Goiás, no qual participa todos os anos.
A “quadros-cultura.com” Lauro António fez a seguinte análise: “A situação atual do cinema brasileiro é muito estimulante e tem efetivamente muitos novos realizadores. Além de alguns veteranos que continuam e mantêm uma qualidade boa, tem também muitos novos realizadores que surgem e que têm trazido um olhar novo sobre a realidade brasileira, com diferenças de estilo, diferenças de sensibilidade, o que me parece interessante e estimulante, e que eu julgo que tem muito a ver com a própria realidade política e social do Brasil, que hoje em dia toda ela é muito viva, muito virada para a frente. O Brasil deve ser dos países do mundo que está com mais vitalidade e progresso, e isso é uma coisa que se nota na sua própria produção cinematográfica, e não só”.





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