Casa da América Latina celebra o embaixador da música erudita brasileira

Há 50 anos o mundo ficava sem a presença do grande compositor brasileiro de música erudita, Heitor Villa-Lobos.
O educador e maestro Heitor Villa-Lobos, considerado um dos maiores compositores brasileiros, reinventou a música erudita brasileira, incorporando a música folclórica e popular do índio, do negro e do branco, criando, assim, uma identidade cultural da música erudita brasileira.
Entre 1905 e 1912 desbravou o Norte e Nordeste brasileiros, em busca de novos instrumentos musicais, cantigas de roda e dos repentistas regionalistas, os quais o deixaram impressionado.
O resultado desta pesquisa deu origem a composições como, entre outras, “Cair da Tarde”, “Evocação”, “Miudinho”, “Canção de Amor” e “Trenzinho Caipira”, além da coletânea “O Guia Prático”, com canções folclóricas voltadas à educação musical nas escolas.
As composições inovadoras e nacionalistas fizeram Villa-Lobos ser coroado o mais expressivo músico da “Semana de Arte Moderna” de 1922, se apresentando nos três dias com três diferentes espetáculos, entre eles “Danças Características Africanas” e “Impressões da Vida Mundana”.
A crítica ortodoxa não perdoou o maestro por suas inovações e fez duros reparos. Villa-Lobos parte para Paris em 1923, com a ajuda de amigos. Em França, é reconhecido pela vanguarda musical européia, alcançando grande sucesso com suas apresentações e o reconhecimento internacional.
Depois de 30 anos dedicado à música, com quase mil composições, morreu no Rio de Janeiro, vitima de um câncer, em 17 de Novembro de 1959. Mas Villa-Lobos continua vivo na memória de todos aqueles que apreciam o seu trabalho.
O meio século da sua ausência foi relembrado em diversas partes do mundo. Em Lisboa, o maestro, ícone da musica erudita brasileira, foi homenageado no exato dia do aniversário de sua morte, terça-feira (17), na Casa da América Latina, pelo “Quarteto Ibero-Americano de Lisboa”, formado por Ana Beatriz Manzanilla e António José Miranda nos violinos, Pedro Saglimbeni Munoz na viola e Jeremy
Lake no violoncelo – dois venezuelanos, um português e um inglês. O “Quarteto Ibero Americano de Lisboa” interpretou o primeiro e último Quarteto, números 1 e 17, de estilos contrastantes, devido à data da sua composição. O Quarteto nº 17 é também uma das últimas obras do compositor, escrita apenas um ano antes de sua morte.
A homenagem contou ainda com uma apresentação (Duo para Violino e Viola – 1946) interpretada por Ana Beatriz Mozanilla e Pedro Salglinbeni Munoz, composição escrita no Rio de Janeiro e dedicada à grande violinista brasileira Paulina D’Ambrosio.
Para os músicos que fizeram esta celebração do grande representante da música erudita brasileira, “a maior homenagem que se pode fazer a um compositor é tocar a sua música”. “Foi muito comovente tocar Villa-Lobos, principalmente nesta data…”.





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