Casa Fernando Pessoa foi pequena demais para acolher fãs de Maria Bethania
O recital da tarde de quarta-feira (21) em agradecimento ao galordoamento de mérito “Odem do Desassego”, que Maria Bethania recebeu, no Rio de Janeiro, em 8 de Março deste ano (Instituto Moreira Sales), estava programado na Casa Fernando Pessoa para 17h30, no entanto, por volta das 16h00, uma longa fila já se formava na porta de entrada do domicilio, em Campo de Ourique, Lisboa, aonde Fernando Pessoa residiu os seus últimos 15 anos de vida.
A presidente da CFP, Inês Pedrosa, pediu a compreenção pelas acomodações, dizendo qui; “Isto é uma casa museu, não é um auditório, ou um coliseu”, explicou Inês, solicitando a colaboração de quem estivesse sentado nos lugares reservados para comitiva de Bethania, que levantasse para que a artista pudesse dá inicio a sua apresentação. Poucos foram aqueles que se levantaram e, com meia hora de atraso a fã e divulgadora da obra de Pessoa, há 39 anos, acompanhada por dois músicos, nomeadamente Carlos Cesar (percussão) e Jaime Alem (violão) apareceu ao público, deu as boas vindas às centenas que esperavam ansiosamente, interpretando “Santa Barbara”,(composição de Roque Ferreira)
O público ouvia atentamente, nas três salas e até nos jardins, alguns sentados, outros nas escadas e vários de pé, mas todos eram unânimes num desejo; apreciar o espetáculo que Bethania apresentava. Além de declamar a poesia de Pessoa e trechos de Clarice Lispector, Amália Rodrigues e outros poetas de países lusófonos, cantou várias canções e fez elogios aos poetas e cantores brasileiros entre eles; Ferreira Gullar, Vinicius de Morais, Tom Jobim e ao rei do baião, o saudoso Luiz Gonzaga.
A artista afirmou o seu carinho e preferência por Fernando Pessoa, dizendo que “Pessoa é a minha tradução mais fiel… suporta minha respiração, minha cadência e o ritmo desassossegado do meu coração”. Disse ainda; “Fernando Pessoa é berço de cada trabalho e fonte da minha sede”. Esta citação fez em homenagem a seu professor, Nestor Oliveira, de uma escola pública em Santo Amaro da Purificação, sua terra natal. De acordo com Bethania, o professor Nestor foi quem a ensinou a apreciar poesia, com o seu irmão Caetano Veloso. Bethania fez questão de explicar, que quando fez esta mesma apresentação numa cimeira de Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) no Itamaraty (Brasília) sede do ministério das relações exteriores brasileiras, mostra-se “…bem que é possível uma boa e devida educação, nas escolas públicas brasileiras”.
O recital, perlongou-se durante uma hora e a diva brasileira encerrou cantando “O Que é o Que é” juntamente com seus fãs, composição do saudoso e inesquecível Gonzaguinha.
“Viver
É não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ah! Meu Deus, eu sei, eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita, é bonita”.
Os que tiveram o privilégio de conseguir um espaço no auditório principal, com capacidade para 80 pessoa, falaram do prazer de ouvir e ver Maria Bethania bem de perto, como foi o caso da médica oriunda da Estônia, Katrin. “ Viajei da Estônia até aqui só para ver Maria Bethania cantar… já tinha visto este recital em Brasília e vi novamente aqui. É simplesmente lindo!” Disse a médica ao Quadros-Cultura.com
Para a conterrânea de Maria Bethania, a atriz Patrícia Dumont, residente em Portugal há 9 anos, o recital foi indescritível de bom. “ Bethania é o máximo! Estive assistindo à apresentação que ela fez em homenagem ao nonagésimo aniversário da mais famosa fadista lusitana, Amália Rodrigues, ontem na Basílica da Estrela. Hoje vim aqui para ouvi-la novamente recitar os versos de Pessoa. Gostei muito”, declarou Patrícia ao Quadros-cultura.com.
A artista brasileira faz mais duas apresentações em terras lusitanas. No dia 22 em Cascais e 24 na Cidade Invicta, Porto.











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