 21st fevereiro, 2010

Trio Nelson Veras canta os parabéns
 Nelson Veras gravou no Brasil com Steve Coleman e tocou na Europa com Mark Turner
OndaJazz fez aniversário de 5 anos, sexta-feira (19), mas quem ganhou o presente foram os convidados que curtiram o milésimo concerto realizado na casa, apresentado por três grandes músicos: o brasileiro Nelson Veras (guitarra), acompanhado pelo francês Matthieu Chazarenc (bateria) e o português Nelson Cascais (contrabaixo).
OndaJazz surgiu a meio de uma escadaria de Alfama, graças aos esforços e sonho da família Riou-Felizardo de criar um espaço em Lisboa, um ambiente onde o público pudesse desfrutar de uma boa música.
De acordo com Thierry Riou, depois de muita procura por uma espaço onde fosse possível o sonho se tornar realidade, encontraram um antigo armazém, onde a soma de esforços foi fundamental para transformar o velho depósito na acolhedora casa que hoje recebe convidados e músicos de todas as partes do mundo.
 O OndaJazz tem apostado numa programação onde cabem a música do mundo, as sonoridades africanas e orientais e os ritmos latinos
Thierry disse ainda que atribui o sucesso do local a toda a família OndaJazz: “O OndaJazz é uma empresa completamente familiar, com identidades diferentes e complementares. Tudo que fazemos aqui é discutido entre nós. O meu cunhado Victor cuida da arquitetura, minha irmã Corinne faz a gestão do pessoal, Daniel na gerência e Hugo o chefe de cozinha. Se um tem uma ideia de fazer algo diferente, na música ou na culinária, compartilhamos entre nós e daí chegamos à conclusão final. No principio o OndaJazz era só para musica, pois com o termo OndaJazz queríamos transmitir o conceito de onda de musicas. Mas depois surgiu o restaurante, e queremos dar ao restaurante a mesma alma que damos à música. Escolhemos o menu da mesma forma que escolhemos a musica; damos nossa forma, fazemos tudo com o coração. Toda a gente que trabalha aqui faz parte da casa, ou seja, se envolve com todo ambiente – é assim que funciona”, confessou Thierry.
 Thierry Riou gostaria de ter apoios para divulgar musicos portugueses no estrangeiro
Nestes cinco anos de trabalho, Thierry disse que, apesar de já ter ido em busca de apoios em Portugal, nunca obteve nenhum. Da parte francesa conseguiu com a CULTURESFRANCE (agência do Ministério Francês do Exterior, Cultura e Comunicação, responsável pelo intercâmbio cultural internacional) o subsídio de transporte para os músicos franceses se apresentarem aqui em Lisboa, e gostaria de conseguir a mesma coisa das autoridades portuguesas para a divulgação de artistas portugueses em França. “Prosseguimos com o trabalho, porque todos envolvidos no projeto têm amor por aquilo que fazem, que é promover um intercâmbio cultural através da musica, trazendo ao OndaJazz músicos de todas as nacionalidades, entre eles franceses, portugueses, espanhóis e brasileiros. O jazz é universal, não há nacionalidade, não há barreira para a sua musica.As pessoas que vieram aqui, como podem ver hoje, para assistir ao guitarrista Nelson Veras, vão curtir uma boa musica e apreciar uma boa comida. E elas sempre voltam, porque encontram aqui um ambiente familiar, um ambiente com história, com uma identidade cultural”, explicou Thierry.
 Nelson Veras toca pela primeira vez em Lisboa
E foi isto que o jovem guitarrista baiano Nelson Veras, residente em Paris há quinze anos, o baterista francês Matthieu Chazarenc e o contrabaixista português Nelson Cascais, mostraram no milésimo concerto OndaJazz, para uma plateia composta de convidados, amigos e apreciadores da boa música e das iguarias da casa.
Nelson Veras, aos 14 anos de idade captou a atenção do realizador Frank Cassenti, no filme “Just a Dream”, com Pat Metheny, e tocou no Festival de Jazz de Paris. Aos 16 já tinha formado um quarteto com Michel Benita, Eric Barret e Aldo Romano. Tocou ao lado de nomes como Lee Konitz, Dominique di Piazza, Jean-Louis Matinier (entre muitos outros) e gravou o seu primeiro álbum como líder em 2004.
 Nelson Veras, de Salvador da Bahia para Paris
Entre os convidados estava o guitarrista português Pedro Jóia, freqüentador da casa há já alguns anos: “Sou amigo do Thierry e hoje estou aqui a convite dele para ver o Veras tocar. Vi o primeiro set, achei muito rigoroso ritmicamente, gostei bastante. Quanto ao OndaJazz, apesar do nome jazz, é uma sala aberta a todo o tipo de música; já ouvi aqui fado, corais de gospel e jazz. Eu mesmo já falei ao Thierry que qualquer dia desses venho tocar aqui, pois gosto muito do ambiente”, disse Pedro Jóia.
 Matthieu Chazarenc fez várias passagens por Nova Iorque, onde estudou com John Riley, Kenny Washington, Jeff Ballard e Ari Hoenig
Nelson Veras e Matthieu Chazarenc falaram a quadros-cultura.com da satisfação de estarem realizando o concerto: “Para mim é uma honra estar tocando pela primeira vez em Lisboa, pois sempre ouvia falar, mas nunca tinha vindo aqui. É também uma oportunidade de conhecer novas pessoas”, disse Nelson. “Eu e o Nelson nos conhecemos há cerca de 10 anos atrás. Somos bons amigos. Nunca deixamos de ensaiar juntos. Aprendi muito com ele. Somos vizinhos em Paris. Pra mim também é um prazer me apresentar ao lado dele, pela primeira vez em Lisboa”, disse Matthieu.
 Nelson Veras e Pedro Jóia, reunidos por Thierry Riou no 5º aniversário do OndaJazz
Matthieu Chazarenc conversou ainda que “talvez haja uma corrente brasileira de jazz, mas acha que o Nelson é mesmo um músico de jazz universal. Não é um guitarrista brasileiro, no sentido de seguir uma corrente brasileira na sua linguagem musical. Nós tocamos, por exemplo, bossa nova, ou Triste (de Tom Jobim), ou temas de Milton Nascimento, e claro que a cultura brasileira está lá, mas ele tem a sua própria maneira de se expressar, de forma única, sem copiar ninguém. É isso que é interessante e o seu ponto forte. Não há ninguém como ele”, completou o baterista e amigo de Veras.
Os concertos do OndaJazz são gravados em vídeo e estão disponíveis em http://www.ondajazz.tv
(fotos João Teixeira)
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 16th fevereiro, 2010

Mariana Belém reúne no palco pai e mãe
 25 anos de shows nos Casinos de Portugal
Quem esteve no Casino de Lisboa, segunda-feira (15), pôde assistir ao belíssimo espetáculo de carnaval realizado pela cantora brasileira Fafá de Belém, que subiu ao palco cantando descalça, contagiando centenas de pessoas presentes, que aplaudiam e gritavam o nome da “sua” Fafá, como se fosse da família.
A artista deu iniciou à festa no palco central do Arena Lounge, cantando “Pássaro Sonhador”, de Arlindo Júnior, acompanha de sete músicos, entre eles o pai de Mariana, Raul Mascarenhas, tocando saxofone, e com Mariana Belém fazendo “back-vocals”. O público interagiu com a artista, cantado e dançando cada canção apresentada, formando um grande coral. Entre os sucessos da noite, Fafá cantou “Coração do Agreste”, “Memória” e “Meu Disfarce”, músicas de sua própria autoria.
 Foi em Portugal que Mariana Belém cantou profissionalmente pela primeira vez, ao lado de sua mãe
Num ambiente mágico de som e luz, num palco redondo no centro de vários anéis giratórios de mesas, com o baterista e percussionista ocupando um outro palco, e com pessoas lotando não só a platéia e mesas, mas também dois andares de varandas, a emoção tomou conta do público, que foi convidado por Fafá de Belém a fazer segunda voz com Mariana.
Além de levar a boa musica, Fafá agradeceu a presença de cada convidado e falou de seu amor pelas terras lusitanas, dizendo que nos seus trinta anos de profissão é sempre um prazer atravessar o oceano rumo a Portugal, que considera sua segunda casa.
Depois dos agradecimentos e mais uma canção, Fafá fez um pequeno intervalo e deixou o palco a cargo de Mariana, que mostrou que “filho de peixe, peixinho é”. A filha de Fafá e Mascarenhas mostraram seu talento, levando a plateia ao delírio, interpretando, entre outros, sucessos gravados por Ivete Sangalo.
 Mariana Belém: "Portugal prá gente é como se fosse um puxadinho de casa"
Assim como a mãe, Mariana também falou de sua ligação com o público português, pois boa parte de sua infância e adolescência acompanhou a artista nos bastidores das apresentações de Fafá no Casino do Estoril (o maior casino da Europa e pertencente à mesma gestão do Casino de Lisboa), no qual a artista se apresenta há mais de vinte anos.
Fafá retornou ao palco trajando uma fantasia indígena e foi recebida com caloroso abraço da filha, que deu as boas vindas dizendo: “Esta é minha mãe, minha grande estrela”.
Um momento ímpar de emoção tomou conta do palco do Arena Lounge quando um grupo de fãs brasileiros exibiu a bandeira do Estado do Pará, terra natal da protagonista da noite, que acenou emocionada jogando beijos de agradecimento.
 Fafá de Belém: O público português já a considera "sua"
Cantou outros sucessos de sua trajetória musical, entre os quais, como não poderia deixar de ser, “Vermelho”, uma toada composta por Chico Silva para o Boi-Bumbá Garantido, cujas cores são o vermelho e o branco, personagem lendária de uma das maiores festas folclóricas do Brasil, que acontece todos os anos em Parintins, no Estado da Amazônia.
A composição de Chico da Silva, “Vermelho”, tomou dimensões alargadas quando Fafá a apresentou em terras lusas anos atrás, conquistando milhares de adeptos em Portugal, pois se tornou o hino paralelo do Benfica, o mais popular clube de futebol português.
A fechar o espetáculo, Fafá e Mariana cantaram ainda o tema “Jardins Proibidos“, sucesso do português Paulo Gonzo, duo que será incluído no primeiro CD de Mariana Belém, já em fase de gravação.
 "Na hora que bota aquele coquar, é uma reverência àquele povo índio da Amazónia, que é o nosso povo"
Após a apresentação, Mariana e Fafá receberam no camarim convidados e imprensa, e falaram a quadros-cultura.com do prazer de estar mais uma vez em Lisboa: “Tenho um amor e uma gratidão muito grande pelo povo português, porque sempre me tratou muito bem; comecei aos 6 anos brincando aqui nos corredores, e eram sempre os garçons, todo o mundo, a equipe de trás que cuidava de mim” – recorda Mariana. “A primeira vez que eu cantei na minha vida, profissionalmente, foi em 2001, no Casino Estoril; ver todas aquelas pessoas que sempre cuidaram de mim, me abraçando no começo da minha carreira; e aqui não tinha cantado ainda, e aí foi uma emoção muito grande, porque é gente de cima, de baixo… estou muito feliz”, declarou Mariana Belém, que sempre que possível acompanha a mãe nos concertos, mas já possui carreira a solo e se prepara para lançar seu primeiro CD ainda este ano, com lançamento simultaneo previsto para o Brasil e Portugal.
 Mariana: "Daqui eu faço 2 shows em São Paulo e vou para Manaus fazer um musical e depois volto para Belém para acabar de terminar o meu primeiro CD"
Fafá falou a quadros-cultura.com da emoção de retornar à sua segunda pátria: “Eu estava muito ansiosa por estrear aqui no palco do Casino de Lisboa. São 25 anos de parceria com o Grupo Estoril Sol. Inaugurei o Casino Estoril, reinaugurei na gestão do Stanley Ho e de Assis Ferreira, inaugurámos o Casino da Póvoa, na gestão deles também, e para Lisboa não conseguia coincidir datas. E agora foi em grande! Fiquei muito emocionada. Um público expressivo, cantando, dançando… e é isto que a gente quer”.
 Mariana: "Não compreendo quem tenha problema de ser filho de famosos. Eu tenho o maior orgulho na minha mãe"
A artista acrescentou ainda, falando da emoção que sentiu ao interpretar a última música do espetáculo: “Fazer parte das comemorações do maior time de futebol do mundo, com maior número de sócios inscritos, você, uma cantora brasileira, e uma música que veio do interior da Amazónia, que eu a transformasse num hino do maior clube de associados do mundo… é muita coisa. E a canção ter sido escolhida para ser um hino paralelo, um emblema, mais um dos símbolos do Benfica, é muita honra. Então, muita coisa passou pela minha cabeça quando cantei ‘Vemelho’” – confessou Fafá. “Eu trabalho muito, gosto do que faço; eu entendo que tudo que conquistei na vida foi fruto de muito trabalho, e quando há um reconhecimento fora… o trabalho que a gente faz no quotidiano… é emocionante. Eu me sinto absolutamente íntima deste povo. E muito grata” – disse Fafá de Belém.
(fotos João Teixeira)
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