Intercâmbio Cultural nas noites de domingo no CHAPITÔ
Chapitô é uma casa situada bem próximo ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, fundada em 1970 por Teresa Ricou, primeira mulher-palhaço da Europa. No estabelecimento funciona, entre outras, uma Organização Não-Governamental (ONG) com fortes intervenções, sobretudo junto a jovens que enfrentam problemas sociais e familiares, atuando também na área de direitos humanos e cidadania, promovendo debates e ações de esclarecimento, com animação circense e espetáculos apelando à não-discriminação.
Num dos seus múltiplos espaços, o Bartô, situado na Biblioteca e no centro do qual se manteve um tanque de pedra, de construções anteriores, se apresentou no penúltimo domingo de Setembro a dupla brasileira “Dois do Samba”, formada pelo mineiro Dudu Nicácio e o carioca Rodrigo Braga. Ambos resumem de uma forma ímpar o espírito de cumplicidade musical contemporânea.
O mineiro e o carioca já fazem parte das paradas de sucesso em seu país de origem, com apresentações desde as favelas de Belo Horizonte ao Palácio das Artes em São Paulo. O primeiro CD gravado pela dupla “Dois do Samba”, contabiliza no repertório 10 músicas cheias de atributos e participações de músicos do Rio (presenças luxuosas como a de Dona Sú do Jongo e Casuarina) e de Beagá (do virtuosismo do cavaquinhista Warley Henrique à contundência do coro das Meninas de Sinhá – recém ganhadoras dos prêmios Tim, Rival Petrobras e Cultura Viva/Ministério da Cultura.
Depois do sucesso no Brasil, “Dois do Samba” atravessou o oceano com sua primeira turnê européia e se apresentaram em Barcelona e Paris. Se despediram do velho continente, partilhando as sonoridades do samba de dentro do tanque musical, com o convidado Chalo, o “Novo Trovador Angolano”, que já viveu no Brasil, juntando assim ao samba brasileiro o semba, o jongo, rebitas e kilapangas de Angola, num improviso afro-brasileiro.
O intercâmbio cultural promovido pelas produtoras Manuela Tavares, angolana de ascendência cabo-verdiana, e a brasileira Claudia Góes, agradou o público que interagiu com os músicos dançando e cantando suas canções, encerrando assim mais uma noite de domingo no Chapitô com chave de ouro.
DOIS DO SAMBA - "Samba Morena"



O Bairro de Alfama, em Lisboa, não vive só das Festas nos Santos Populares, das sardinhas assadas, das Marchas de Santo António e do Fado. Um francês, Thierry Riou, deixou seu trabalho de 15 anos como jornalista numa rádio em Paris para abrir, juntamente com a sua família, no bairro mais típico de Lisboa, o OndaJazz, onde a música do mundo acontece de terça a domingo, a partir das 22h00.
Iniciada em 2004, localizada por entre as escadarias seculares de Alfama, celebrará em Janeiro de 2010 o seu milésimo show, sempre com amor e paixão. Por esta “Onda” – em homenagem ao rio Tejo que ali em baixo abraça o mar – passa toda fusão, entre músicos africanos, europeus e brasileiros, para além do flamengo e da música cubana, num verdadeiro intercâmbio cultural, onde a música se faz viva e não comercial.
Filha do activista, jornalista e professor português Alipio de Freitas, de Trás-os-Montes, a brasileira Luanda Cozetti é uma das habituais do palco do OndaJazz, com o seu projecto “Couple Coffee”, juntamente com o brasileiro Norton Daiello. Já no seu 3º CD, com edições no Brasil e em Portugal, nasceu em Brasília e já viveu na Guiné-Bissau – um verdadeiro exemplo vivo do cadilho cultural do OndaJazz.
No palco do OndaJazz já estiveram, além de Luanda, vários outros artistas brasileiros, entre eles o carioca Marcos Amorim que, num intervalo de sua turnê com Lili Araújo por outros países europeus, esteve em Lisboa pela primeira vez, exclusivamente para mostrar seu talento musical. Marcos falou ao “Quadros-Cultura” da alegria de mostrar seu amor à arte aos freqüentadores assíduos do OndaJazz. “Foi com muito prazer que aceitei o convite e estou mesmo aqui por amor aquilo que mais gosto de fazer, que é mostrar meu talento através da arte musical”.



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