24th fevereiro, 2010

Casa Fernando Pessoa faz entrega de Prêmio no Brasil

Ordem do Desassossego celebra 2 mulheres em Pessoa

Inês Pedrosa: "reforçar os laços culturais entre Portugal e o Brasil"

A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, irá entregar dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, na sede do Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro, o prêmio “Ordem do Desassossego”, uma medalha em prata, criada pela Casa Fernando Pessoa, com design de Jorge Colombo.

O prêmio, destinado a homenagear aqueles que divulgaram a obra do escritor português, será atribuído pela primeira vez, sendo o Brasil escolhido para esta inauguração, na pessoa de duas mulheres.

A professora universitária Cleonice Berardinelli e a cantora e compositora Maria Bethânia foram as duas brasileiras escolhidas para receber a medalha da Ordem do Desassossego, pela qualidade dos seus trabalhos pioneiros na divulgação da obra de Pessoa. O prêmio será entregue pela diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, que estará presente no evento acompanhada da Coordenadora da Casa, Carmo Mota.

Cleonice Berardinelli recebe, em 2006, das mãos do primeiro-ministro português José Sócrates, a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada

Cleonice Seroa da Mota Berardinelli (“Dona Cleo”), académica de 93 anos de idade, é considerada a maior especialista em literatura portuguesa do Brasil e autora de importantes obras sobre Fernando Pessoa, tendo mesmo sido responsável pela re-descoberta de Pessoa no mundo lusófono. É membro da Academia Brasileira de Letras e acadêmica correspondente brasileira da Academia de Ciências de Lisboa, Classe de Letras, desde 1975.

Maria Bethânia, primeira homenageada com a "Ordem do Desassossego"

Maria Bethânia Vianna Telles Veloso, considerada por muitos brasileiros uma das maiores cantoras da história do Brasil, tem a marca de ser a segunda artista em venda de discos no país, sendo a primeira da MPB, com 26 milhões de cópias vendidas. Em 1971 gravou o disco “Rosas dos Ventos”, incluindo poemas de Fernando Pessoa, e em 1972 o álbum “Drama”, com a composição de Paulo Vanzoline “Volta por Cima” e texto do poeta, entre outros.

Além da entrega do prêmio “Ordem do Desassossego”, acontecerá no IMS uma sessão de debate sobre a importância de Fernando Pessoa no Brasil, com a participação das homenageadas e do poeta e filósofo Antonio Cícero, bem como a gravação de vídeo de poemas de Pessoa,

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu" - Fernando Pessoa

apresentado por representantes da cultura brasileira, entre eles Adriana Calcanhoto, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo, Malu Mader, Tony Bellotto, Zuenir Ventura, entre muitos outros.

Em entrevista a quadros-cultura.com, a escritora e diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, disse que a realização deste evento no Instituto Moreira Salles assinala o início de uma parceria entre as duas instituições e reforça os laços culturais entre Portugal e o Brasil, sendo também uma manifestação de gratidão para com o país irmão, pelo seu amor à obra do poeta, recentemente declamada em Lisboa pelo comediante e apresentador de televisão Jô Soares.

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21st fevereiro, 2010

OndaJazz celebra 5 anos e milésimo concerto

Trio Nelson Veras canta os parabéns

Nelson Veras gravou no Brasil com Steve Coleman e tocou na Europa com Mark Turner

OndaJazz fez aniversário de 5 anos, sexta-feira (19), mas quem ganhou o presente foram os convidados que curtiram o milésimo concerto realizado na casa, apresentado por três grandes músicos: o brasileiro Nelson Veras (guitarra), acompanhado pelo francês Matthieu Chazarenc (bateria) e o português Nelson Cascais (contrabaixo).

OndaJazz surgiu a meio de uma escadaria de Alfama, graças aos esforços e sonho da família Riou-Felizardo de criar um espaço em Lisboa, um ambiente onde o público pudesse desfrutar de uma boa música.

De acordo com Thierry Riou, depois de muita procura por uma espaço onde fosse possível o sonho se tornar realidade, encontraram um antigo armazém, onde a soma de esforços foi fundamental para transformar o velho depósito na acolhedora casa que hoje recebe convidados e músicos de todas as partes do mundo.

O OndaJazz tem apostado numa programação onde cabem a música do mundo, as sonoridades africanas e orientais e os ritmos latinos

Thierry disse ainda que atribui o sucesso do local a toda a família OndaJazz: “O OndaJazz é uma empresa completamente familiar, com identidades diferentes e complementares. Tudo que fazemos aqui é discutido entre nós. O meu cunhado Victor cuida da arquitetura, minha irmã Corinne faz a gestão do pessoal, Daniel na gerência e Hugo o chefe de cozinha. Se um tem uma ideia de fazer algo diferente, na música ou na culinária, compartilhamos entre nós e daí chegamos à conclusão final. No principio o OndaJazz era só para musica, pois com o termo OndaJazz queríamos transmitir o conceito de onda de musicas. Mas depois surgiu o restaurante, e queremos dar ao restaurante a mesma alma que damos à música. Escolhemos o menu da mesma forma que escolhemos a musica; damos nossa forma, fazemos tudo com o coração. Toda a gente que trabalha aqui faz parte da casa, ou seja, se envolve com todo ambiente – é assim que funciona”, confessou Thierry.

Thierry Riou gostaria de ter apoios para divulgar musicos portugueses no estrangeiro

Nestes cinco anos de trabalho, Thierry disse que, apesar de já ter ido em busca de apoios em Portugal, nunca obteve nenhum. Da parte francesa conseguiu com a CULTURESFRANCE (agência do Ministério Francês do Exterior, Cultura e Comunicação, responsável pelo intercâmbio cultural internacional) o subsídio de transporte para os músicos franceses se apresentarem aqui em Lisboa, e gostaria de conseguir a mesma coisa das autoridades portuguesas para a divulgação de artistas portugueses em França. “Prosseguimos com o trabalho, porque todos envolvidos no projeto têm amor por aquilo que fazem, que é promover um intercâmbio cultural através da musica, trazendo ao OndaJazz músicos de todas as nacionalidades, entre eles franceses, portugueses, espanhóis e brasileiros. O jazz é universal, não há nacionalidade, não há barreira para a sua musica.As pessoas que vieram aqui, como podem ver hoje, para assistir ao guitarrista Nelson Veras, vão curtir uma boa musica e apreciar uma boa comida. E elas sempre voltam, porque encontram aqui um ambiente familiar, um ambiente com história, com uma identidade cultural”, explicou Thierry.

Nelson Veras toca pela primeira vez em Lisboa

E foi isto que o jovem guitarrista baiano Nelson Veras, residente em Paris há quinze anos, o baterista francês Matthieu Chazarenc e o contrabaixista português Nelson Cascais, mostraram no milésimo concerto OndaJazz, para uma plateia composta de convidados, amigos e apreciadores da boa música e das iguarias da casa.

Nelson Veras, aos 14 anos de idade captou a atenção do realizador Frank Cassenti, no filme “Just a Dream”, com Pat Metheny, e tocou no Festival de Jazz de Paris. Aos 16 já tinha formado um quarteto com Michel Benita, Eric Barret e Aldo Romano. Tocou ao lado de nomes como Lee Konitz, Dominique di Piazza, Jean-Louis Matinier (entre muitos outros) e gravou o seu primeiro álbum como líder em 2004.

Nelson Veras, de Salvador da Bahia para Paris

Entre os convidados estava o guitarrista português Pedro Jóia, freqüentador da casa há já alguns anos: “Sou amigo do Thierry e hoje estou aqui a convite dele para ver o Veras tocar. Vi o primeiro set, achei muito rigoroso ritmicamente, gostei bastante. Quanto ao OndaJazz, apesar do nome jazz, é uma sala aberta a todo o tipo de música; já ouvi aqui fado, corais de gospel e jazz. Eu mesmo já falei ao Thierry que qualquer dia desses venho tocar aqui, pois gosto muito do ambiente”, disse Pedro Jóia.

Matthieu Chazarenc fez várias passagens por Nova Iorque, onde estudou com John Riley, Kenny Washington, Jeff Ballard e Ari Hoenig

Nelson Veras e Matthieu Chazarenc falaram a quadros-cultura.com da satisfação de estarem realizando o concerto: “Para mim é uma honra estar tocando pela primeira vez em Lisboa, pois sempre ouvia falar, mas nunca tinha vindo aqui. É também uma oportunidade de conhecer novas pessoas”, disse Nelson. “Eu e o Nelson nos conhecemos há cerca de 10 anos atrás. Somos bons amigos. Nunca deixamos de ensaiar juntos. Aprendi muito com ele. Somos vizinhos em Paris. Pra mim também é um prazer me apresentar ao lado dele, pela primeira vez em Lisboa”, disse Matthieu.

Nelson Veras e Pedro Jóia, reunidos por Thierry Riou no 5º aniversário do OndaJazz

Matthieu Chazarenc conversou ainda que “talvez haja uma corrente brasileira de jazz, mas acha que o Nelson é mesmo um músico de jazz universal. Não é um guitarrista brasileiro, no sentido de seguir uma corrente brasileira na sua linguagem musical. Nós tocamos, por exemplo, bossa nova, ou Triste (de Tom Jobim), ou temas de Milton Nascimento, e claro que a cultura brasileira está lá, mas ele tem a sua própria maneira de se expressar, de forma única, sem copiar ninguém. É isso que é interessante e o seu ponto forte. Não há ninguém como ele”, completou o baterista e amigo de Veras.

Os concertos do OndaJazz são gravados em vídeo e estão disponíveis em http://www.ondajazz.tv

(fotos João Teixeira)
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