“Sotaques” – uma verdadeira fusão luso-brasileira
A brasileira Sílvia Nazário e o português Rogério Charraz estrearam ontem à noite (28), na Casa da América Latina, em Lisboa, o brilhante espetáculo batizado por “Sotaques”.
Juntamente com três outros excelentes músicos – de Curitiba e residente em Portugal, Cláudio Kumar (viola e direção) e os portugueses João Coelho (Bateria) e José Canha (Baixo e Contrabaixo) – Sílvia Nazário e Rogério Charraz defenderam brilhantemente a sua tese de que o que separa os dois povos é apenas o sotaque, “uma vez que o mundo é redondo e um só”, disse Sílvia a “quadros-cultura.com”.
Rogério Charraz começou a festa da noite com uma introdução à música portuguesa, cantando temas que foram desde a música popular folclórica de regiões como o Alentejo, passando por baladas e músicas de intervenção anteriores à revolução dos cravos de 1974 e terminando, necessariamente, no fado!
Já com Sílvia Nazário em palco, deram inicio a “cozinhar um cadilho” de músicas e melodias brasileiras e portuguesas, ele com uma voz que faz lembrar Rui Veloso e ela Carmen Miranda, cada um no seu sotaque, produzindo um “caldo cultural” de semelhanças e continuidades, num espírito de curiosidade e de união que atribuem aos navegantes de 1500, numa aguarela harmoniosa de infindável criatividade.
A platéia, formada por nacionalidades heterogêneas, entre elas portugueses e brasileiros, tiveram o privilégio de ouvir, entre outras, canções dos portugueses Jorge Palma, Fausto, Rui Veloso, Carlos do Carmo, Madredeus, Sérgio Godinho e Zeca Afonso, fundidas com temas dos ícones da musica brasileira, tais como Tom Jobim, Ernesto Nazareth, Chico Buarque, Catulo da Paixão, Ginga, Vital Farias, e originais dos próprios Rogério Charraz e Sílvia Nazário.
A cantora brasileira é natural de Maceió, Alagoas e mora em Portugal desde 1990, quando esteve por aqui passando umas férias de dois meses, se apaixonou pela cidade de Lisboa, pelas suas gentes e também pela sua música, e de dois meses já se vão em dezanove anos.
O espetáculo “Sotaques”, que agora apresenta ao lado de Rogério Charraz, é “como um filho que acabou de nascer” e o estão apresentando ao público com muito carinho. E ainda por cima, sobre o belíssimo cenário dos quadros do artista plástico brasileiro Daniel Azulay, ainda em exposição.
“O sal das minhas lágrimas de amor criou o mar,
que existe entre nós dois
para nos unir e separar”
(Vínicius de Moraes)

Muita criatividade, excelentes músicos, um verdadeiro intercambio cultural luso-brasileiro, um banho de novas cores e sonoridades que gritavam por ser descobertas! Estamos todos de parabéns, brasileiros e portugueses!
(fotos João Teixeira)




O já consagrado artista brasileiro Daniel Azulay comemora 30 anos de carreira e mostra seu trabalho em Lisboa, Portugal, com a exposição “A Porta”. É o quarto evento de Daniel Azulay na Europa, depois de duas exposições na Finlândia, “The Door” na AVA Galleria em 2007, “Cores Tropicais” (2009), no Centro Cultural Poleeni de Pieksämäki, e na Suécia, em 2007, “The Beginning of Life 1”, na Galleri Artes Brasil em Estocolmo. A mostra traz ao público português a visão criativa de um artista versátil que, ao longo de uma consistente carreira, atingiu grande maturidade no campo da pintura contemporânea.


O artista sempre manteve um conceito bem diferente da maioria da época, que se limitavam a exibir desenhos animados estrangeiros. Daniel Azulay foi um dos primeiros apresentadores infantis a estimular as crianças a pensar por si próprias e a desenvolver a criatividade através da arte, transformando caixas, garrafas e até suportes de papel higiênico em brinquedos, dos mais variados gostos. Artista plástico e gráfico, Daniel Azulay foi também um grande difusor do desenho artístico e da tradição oral dos contadores de histórias.
Daniel – O fato de ter mostrado primeiro neste dois países e não em Portugal, sendo eu filho de uma portuguesa, aconteceu por acaso. Quanto a aceitação, tem sido muito boa, apesar de se tratar de um país de uma cultura bem diferente da nossa, mas valeu a pena.
Daniel – Não, lá só foi mesmo a exposição.



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