Samba carioca no Chapitô

Não só no Rio se sobe o morro para ouvir o samba. Também em Lisboa se sobe o morro do Castelo de S.Jorge até ao Chapitô (ONG), onde o samba se sente em casa.
A percussionista e jornalista brasileira Cláudia Góes, residente em Portugal, e sua “Onda Carioca”, se apresentaram na noite de quinta-feira (5) no Bartô, o espaço desenvolvido à volta de um tanque medieval servindo de palco, com um repertório da autêntica música brasileira, o samba de raiz dos mais variados estilos: maxixe, samba-coco e partido alto.
O público vibrou e dançou ao som de canções de autoria de ícones do samba carioca, entre eles Clementina de Jesus, Clara Nunes, Pixinguinha, Roberto Ribeiro e João Nogueira, num ambiente informal e intimista.
“Onda Carioca”, o grupo idealizada por Cláudia Góes, é formado por Marcelo Fortuna (voz e violão), Ricardo Chora (voz e cavaquinho) e Paulo Soromenho (percussão), provando que a música é uma comunicação universal e por isto deixaram sua marca no coração do público composto de nacionalidades heterogéneas, entre elas: portugueses, angolanos, ingleses, franceses e brasileiros.
Chapitô – onde nos habituámos a sentir “em casa”!
(fotos João Teixeira)

O mineiro e o carioca já fazem parte das paradas de sucesso em seu país de origem, com apresentações desde as favelas de Belo Horizonte ao Palácio das Artes em São Paulo. O primeiro CD gravado pela dupla “Dois do Samba”, contabiliza no repertório 10 músicas cheias de atributos e participações de músicos do Rio (presenças luxuosas como a de Dona Sú do Jongo e Casuarina) e de Beagá (do virtuosismo do cavaquinhista Warley Henrique à contundência do coro das Meninas de Sinhá – recém ganhadoras dos prêmios Tim, Rival Petrobras e Cultura Viva/Ministério da Cultura.
Depois do sucesso no Brasil, “Dois do Samba” atravessou o oceano com sua primeira turnê européia e se apresentaram em Barcelona e Paris. Se despediram do velho continente, partilhando as sonoridades do samba de dentro do tanque musical, com o convidado Chalo, o “Novo Trovador Angolano”, que já viveu no Brasil, juntando assim ao samba brasileiro o semba, o jongo, rebitas e kilapangas de Angola, num improviso afro-brasileiro.
O intercâmbio cultural promovido pelas produtoras Manuela Tavares, angolana de ascendência cabo-verdiana, e a brasileira Claudia Góes, agradou o público que interagiu com os músicos dançando e cantando suas canções, encerrando assim mais uma noite de domingo no Chapitô com chave de ouro.



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