
Silvia Nazário e Claudio Kumar alimentam a Bossa sempre Nova

a bossa nova tem atraído novos públicos em Portugal, nos últimos dois anos
“Bossa e Outras Novas”, um espetáculo com belas canções, pela voz de Sílvia Nazário e direção de Claudio Kumar, encerrou a sua temporada de 2009 numa antiga fábrica de armas que alimentou a guerra colonial portuguesa, transformada em Centro Cultural – Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, sábado (5), onde à noite acontece de toda a cultura um pouco.
Silvia Nazário, natural de Maceió, Alagoas e Claudio Kumar, de Curitiba, são dois artistas brasileiros que já apresentaram a sua arte em palcos de norte a sul do Brasil. Silvia, além de cantora e interprete é também compositora e já foi premiada com um dos mais renomeados prêmios na categoria de musica brasileira, o Troféu Caymmi, em 1989.

o carinho dos portugueses conquistou seus corações
Já percorreram vários outros países, mostrando a cultura musical brasileira, entre eles a Índia, com que Silvia disse ter-se identificado bastante. Mas foi depois de umas férias em Lisboa que resolveram ficar por aqui. Já lá vão mais de vinte anos que cantam e encantam a comunidade brasileira e o público português. Silvia e Claudio declaram o amor e carinho com que foram recebidos pelos portugueses, e baseados nisto resolveram fixar residência na terra de Fernando Pessoa.
Na Fábrica Braço de Prata a dupla se apresenta há já algum tempo, em diferentes versões deste espetáculo, que já leva dois anos de estrada, ora com convidados especiais, ora em forma de workshop, explicando ao público este movimento.

Braço de Prata, fábrica de cultura
“A bossa nova tem conquistado muito o público português. Não só os mais maduros, mas acontece por vezes termos um público completamente de adolescentes, fãs incondicionais que vêm a todos os nossos espetáculos. É um fenômeno muito bonito, que tem acontecido nos últimos dois anos” – sublinhou Silvia.
O concerto “Bossa e Outras Novas”, como o próprio nome diz, é composto por um repertório bastante heterogêneo, onde Sílvia Nazário e Claudio Kumar interpretam canções daquilo que entendem como um “movimento”, onde cabem “outras Novas”, como um funk de Gilberto Gil, um baião, Djavan, Ivan Lins, Lenine, composições de sua própria autoria, “de Jobim aos índios Saruí!”, como gostam de afirmar.

criatividade, sensibilidade e espiritualidade
O casal falou ao site “quadros-cultura.com” sobre seus planos para o ano seguinte: “Em 2010 vamos continuar a mostrar este movimento, em formato de quinteto, quarteto e trio, num espetáculo amplo e abrangente em constante renovação, mostrando as suas influências, não só as características originais dos anos 60, mas também o antes e depois, inclusive as músicas que foram influenciadas pela bossa nova”.
Silvia está com seu mais recente CD à venda, “Tupi Mata Verde”, e com um outro espetáculo em mãos, “Sotaques”, que estreou na Casa da América Latina recentemente. “Este espetáculo é uma parceria com três grandes músicos portugueses, Rogério Charraz (voz), Rodrigo João Coelho (bateria) e José Canha (baixo e contrabaixo), que no próximo ano pretendo apresentar ao publico de

Sotaques e Bossa NOVA para 2010
Braço de Prata também. E como é uma fusão da musica brasileira com a musica portuguesa, espero também levar até aos palcos brasileiros em breve.” – disse Sílvia Nazário.
Parabéns ao Nuno Nabais, que dirige esta “sua Fábrica”, abrigando várias expressões culturais em simultâneo, em vários espaços, numa verdadeira colmeia de saberes e vivências inter-culturais, fazendo a Paz num lugar outrora de guerra.
(fotos João Teixeira)


Com o objetivo de apresentar o cinema brasileiro contemporâneo ao público português e à comunidade brasileira residente em Portugal, a festa iniciou-se quinta-feira (5) com a exibição de “Juventude”, de Domingos de Oliveira, que teve mais três filmes exibidos: “Feminices”, “Separações” e “Carreiras”. A presença do ator, dramaturgo e cineasta carioca, considerado o “Woody Allen brasileiro”, era muito esperada na Mostra mas, por motivos de saúde, não pôde comparecer.
Além dos quatro filmes de Domingos de Oliveira, que marcaram um dia inteiro dedicado ao diretor, o último dia foi reservado a exibições relacionadas com Matheus Nachtergaele, incluindo a sua estreia como diretor, “A Festa da Menina Morta” (2008).
A “quadros-cultura.com” Matheus falou da satisfação de estar apresentando sua obra em terras Lusas: “Para mim, estar em Portugal é como estar em minha segunda casa. É sempre bom voltar a esta terra. É como visitar a sua mãe ou a sua tia”. Sobre a televisão e o cinema Matheus comentou que “a televisão tende a se acachapar num tipo de linguagem e num tipo de estética, e pessoas como Guel Arraes são um oásis, que fazem a televisão respirar”. Anunciou ainda seus novos projetos: “Fazer um mini festival de monólogos, ensaiar 4 peças ao mesmo tempo e sair viajando com elas, e estou já a engendrar um novo filme, ‘O Furo no Muro’, para além de vários projetos como ator em cinema”.
Foram exibidos ainda: “Romance”, de Guel Arraes (2008), “Santiago”, de João Moreira Salles (2007) e “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky (2008).
A “quadros-cultura.com” Lauro António fez a seguinte análise: “A situação atual do cinema brasileiro é muito estimulante e tem efetivamente muitos novos realizadores. Além de alguns veteranos que continuam e mantêm uma qualidade boa, tem também muitos novos realizadores que surgem e que têm trazido um olhar novo sobre a realidade brasileira, com diferenças de estilo, diferenças de sensibilidade, o que me parece interessante e estimulante, e que eu julgo que tem muito a ver com a própria realidade política e social do Brasil, que hoje em dia toda ela é muito viva, muito virada para a frente. O Brasil deve ser dos países do mundo que está com mais vitalidade e progresso, e isso é uma coisa que se nota na sua própria produção cinematográfica, e não só”.


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