 9th novembro, 2009
Quatro dias de Mostra de Cinema Brasileiro em Lisboa

Terminou domingo (8) a IV Mostra de Cinema Brasileiro, realizada pela Fundação Luso-Brasileira, no Cinema São Jorge, em Lisboa, prestando homenagem ao diretor Domingos de Oliveira e ao ator e também diretor Matheus Nachtergaele.
Com o objetivo de apresentar o cinema brasileiro contemporâneo ao público português e à comunidade brasileira residente em Portugal, a festa iniciou-se quinta-feira (5) com a exibição de “Juventude”, de Domingos de Oliveira, que teve mais três filmes exibidos: “Feminices”, “Separações” e “Carreiras”. A presença do ator, dramaturgo e cineasta carioca, considerado o “Woody Allen brasileiro”, era muito esperada na Mostra mas, por motivos de saúde, não pôde comparecer.
Devidos a problemas técnicos, dois filmes ficaram ainda por exibir: “Meu Nome Não é Johnny”, de Mauro Lima – o filme mais visto no Brasil em 2008 – e “Auto da Compadecida”, de Guel Arraes. Apesar dos transtornos com a exibição, o público mostrou com entusiasmo o desejo de prestigiar a festa do cinema brasileiro, como se provou pela quantidade de pessoas à procura de bilhetes.
Além dos quatro filmes de Domingos de Oliveira, que marcaram um dia inteiro dedicado ao diretor, o último dia foi reservado a exibições relacionadas com Matheus Nachtergaele, incluindo a sua estreia como diretor, “A Festa da Menina Morta” (2008).
Matheus Nachtergaele, conhecido ator brasileiro por vários trabalhos realizados, entre eles “O Auto da Compadecida” (Guel Arraes, 2000), “Tapete Vermelho” (Luiz Alberto Pereira, 2006) e “A Concepção” (José Eduardo Belmonte, 2006) – todos também em exibição na Mostra – passou o dia no Cinema São Jorge, confraternizando com o público e apresentando seu filme de estreia como diretor (“A Festa da Menina Morta” 2008), ouvindo e respondendo a perguntas da platéia sobre seu trabalho e vibrando com a exibição do mesmo.
A “quadros-cultura.com” Matheus falou da satisfação de estar apresentando sua obra em terras Lusas: “Para mim, estar em Portugal é como estar em minha segunda casa. É sempre bom voltar a esta terra. É como visitar a sua mãe ou a sua tia”. Sobre a televisão e o cinema Matheus comentou que “a televisão tende a se acachapar num tipo de linguagem e num tipo de estética, e pessoas como Guel Arraes são um oásis, que fazem a televisão respirar”. Anunciou ainda seus novos projetos: “Fazer um mini festival de monólogos, ensaiar 4 peças ao mesmo tempo e sair viajando com elas, e estou já a engendrar um novo filme, ‘O Furo no Muro’, para além de vários projetos como ator em cinema”.
Foram exibidos ainda: “Romance”, de Guel Arraes (2008), “Santiago”, de João Moreira Salles (2007) e “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky (2008).
Entre os apreciadores do cinema brasileiro, esteve presente o ilustre cineasta português Lauro António. Critico há 50 anos, diretor premiado e autor de vários livros sobre cinema, Lauro António dirige atualmente o festival internacional português CINE ECO – Cinema e Vídeo de Ambiente, que tem um irmão gêmeo no Brasil, o FICA, em Goiás, no qual participa todos os anos. A “quadros-cultura.com” Lauro António fez a seguinte análise: “A situação atual do cinema brasileiro é muito estimulante e tem efetivamente muitos novos realizadores. Além de alguns veteranos que continuam e mantêm uma qualidade boa, tem também muitos novos realizadores que surgem e que têm trazido um olhar novo sobre a realidade brasileira, com diferenças de estilo, diferenças de sensibilidade, o que me parece interessante e estimulante, e que eu julgo que tem muito a ver com a própria realidade política e social do Brasil, que hoje em dia toda ela é muito viva, muito virada para a frente. O Brasil deve ser dos países do mundo que está com mais vitalidade e progresso, e isso é uma coisa que se nota na sua própria produção cinematográfica, e não só”.
(fotos João Teixeira)
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 12th outubro, 2009
Em grande estilo Seu Jorge e banda cantaram e encantaram o público em Lisboa
A espera valeu a pena!… o concerto na noite de sexta feira (9), do artista brasileiro Seu Jorge e sua “orquestra tropical”, formada por 14 excelentes músicos e suas variadas percussões, incluindo trompetes, saxofones, violino e harmônica, encantaram o público presente no Campo Pequeno. O artista subiu ao palco trajando jeans e óculos escuros e abriu o espetáculo cantando “América do Norte” (Seu Jorge/Gabriel Moura), “Samba Rock” (Gabriel Moura/Jovi Joviano) e “Trabalhador” (Seu Jorge), do seu mais recente álbum “América Brasil”. Logo nas primeiras músicas o público, grande maioria de pé junto ao palco, começou a dançar e formar um grande coro entoando as músicas com o artista. E claro, como não poderia deixar de ser, a comunidade brasileira marcou presença em peso para prestigiar o compatriota. No meio da multidão era possível ouvir bem alto: “Seu Jorge, seja bem vindo a Lisboa!”.
A noite, além do bom repertório musical, também teve pedido de casamento ao vivo e a cores no palco. O público se surpreendeu quando Seu Jorge chamou ao palco um fã, João, que tinha feito um pedido muito especial via email. De repente aparece João, com um buquê de flores na mão, e declarou seu amor a namorada Ana, pedindo-a em casamento frente aos olhares curiosos de milhares de pessoas. O momento foi digno de uma boa cena de filme romântico e para completar o encanto, o casal brindou o momento com champanhe oferecido por Seu Jorge e Banda. E mais surpresa foi apresentada ao público com o Trio Preto, que com pandeiros nas mãos, arrancaram aplausos e mostraram a força do instrumento nas mãos de profissionais.
Outro momento marcante da noite foi quando Seu Jorge esteve só ele e seu violão em palco e recordou “Life on Mars?” e “Rebel Rebel”, versão em português de temas de David Bowie, clássico que fez parte trilha sonora do filme “Um Peixe Fora d’Água”.
Deixou também seu recado político com canções de Leci Brandão, “Zé do Caroço” e versos de “Nego Drama”, original do grupo de rap brasileiro Racionais MC’s. Ao término falou emocionado: “É duro o texto, mas é a pura verdade”, explicando acerca do tema do poema que fala sobre as dificuldades da vida nas favelas.
O público ouvia atentamente sua declaração, quando Seu Jorge começa a cantar mais um grande sucesso bastante conhecido do público, gravado anteriormente por ele e Ana Carolina: “É Isso Aí” (Damien Rice) e em seguida “Pessoal e Particular”, “A Namorada” (Carlinhos Brown). E Seu Jorge despede-se do público, ou pelo menos tenta, porque empolgados pedem num grande coral a sua volta e ele atende. Cantou “Burguezinha” (Seu Jorge/Gabriel Moura/Pretinho da Serrinha) e fez uma homenagem ao saudoso Tim Maia cantado “Sossego”. E como o público continuava cantando e dançando, Seu Jorge antecipou o carnaval em Lisboa e transformou o Campo Pequeno num verdadeiro sambódromo lisboeta cantando várias marchinhas de carnaval, tais como: “O Teu Cabelo Não Nega”, “Mamãe Eu Quero”, “Maria Sapatão”, “Cabeleira do Zezé”, “Allah-Lá-Ô”, “Cachaça” e “A Jardineira”. E assim Seu Jorge e seus 14 músicos se despediram do público lisboeta, depois de mais de duas horas de uma grande festa.
Logo após o espetáculo, a cantora e compositora brasileira Luanda Cozetti confessou a quadros-cultura.com ser uma grande admiradora do artista (“sou devota de S. Jorge e de todos os Jorges… por isto sou devota incondicional de Seu Jorge”). “Este disco dele, América Brasil, ouço todos dias em casa. Pra mim o concerto foi de um brilho sem igual; curti do inicio ao fim” declarou. A estudante portuguesa Carolina também declarou ser fã incondicional do artista e sentiu-se muito honrada com a música “Carolina”, a qual Seu Jorge dedicou a todas as Carolinas de Portugal. Claudinha Goes, produtora e estudante de doutorado em musicologia, comentou: “Estou em Lisboa há um ano e meio para estudar a difusão da musica brasileira em portugal após a crise nas gravadoras brasileiras e, claro, jamais poderia deixar de assistir uma apresentação do Seu Jorge; o conheço pessoalmente e todos os músicos que o acompanham e hoje foi o máximo sua apresentação” disse.
(fotos de João Teixeira)
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