 10th fevereiro, 2010

Entrega do Prémio “Personalidade Lusófona de 2009”
 Lauro Moreira: "O que se passou aqui hoje foi uma coisa única na minha vida".
O embaixador do Brasil junto à CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) em Lisboa, Lauro Barbosa Moreira, eleito “Personalidade Lusófona de 2009” pelo Movimento Lusófono Internacional (MIL), foi homenageado na Academia das Ciências de Lisboa, segunda-feira (08), com a entrega pelo presidente da Academia, Prof. Doutor Adriano Moreira, da medalha referente ao prémio.
Cerca de uma centena de personalidades e autoridades portuguesas e brasileiras marcaram presença na Academia para a cerimonia. Renato Epifânio, porta-voz do MIL, após a abertura da sessão por Adriano Moreira deu seguimento agradecendo a presença de todos e o acolhimento da Academia das Ciências como anfitriã. Entre as diversas mensagens de felicitações que chegaram ao MIL, Epifânio leu uma de Amândio Silva, presidente da Associação Mares Navegados, co-fundada por Lauro Moreira, que não pôde estar presente por se encontrar na Bahia, com o título: “Até sempre, companheiro Lauro”.
 "Tenho a sensação que a vida inteira me preparei para Portugal"
Entre as autoridades brasileiras encontrava-se o embaixador do Brasil em Portugal, Celso Vieira e Souza, que disse a quadros-cultura.com: “Como embaixador do Brasil em Lisboa, me associo a esta homenagem que a Academia das Ciências de Lisboa presta ao meu colega e amigo, embaixador Lauro Moreira, representante do Brasil junto da CPLP. O Lauro de fato fez um excelente trabalho durante estes 3 anos que passou na CPLP, de crescimento da CPLP, tendo concorrido decisivamente para uma maior vitalidade da CPLP, para uma maior densidade de todas as realizações da comunidade. Foi a pessoa certa, no lugar certo, nestes três anos”, declarou o embaixador Celso.
 Mário Soares: "Tenho muita pena que ele não tenha ficado até ao fim do mandato do presidente Lula, como desejava".
Mário Soares (ex-presidente de Portugal), não quis deixar de estar presente na cerimonia: “Foi uma sessão muito bonita, que se realizou aqui na sede da Academia das Ciências de Lisboa, a maior, mais antiga e mais prestigiada academia portuguesa. Foi muito interessante que se fizesse uma homenagem tão grande ao embaixador Lauro Moreira, que foi realmente um embaixador exemplar. Tenho muita pena que ele não tenha ficado até ao fim do mandato do presidente Lula, como desejava, porque ele ainda tinha muito trabalho aqui a fazer, e foi interrompido… mas as coisas são assim, a burocracia dos ministérios às vezes comanda, e foi pena, porque realmente nós nunca tínhamos tido um embaixador como este. Tivemos noutras condições, e antes da CPLP, o José Aparecido de Oliveira, que foi uma figura inesquecível para Portugal e para o Brasil, e tivemos agora o Lauro Moreira, que realmente foi e é um grande embaixador, e fez agora um discurso magnífico, que nos encheu o coração”, disse Mário Soares.
 Mário Soares, Adriano Moreira, Lauro Moreira e Celso Souza trocando cumprimentos
Estiveram ainda presentes Antonio Dias Farinha, secretário geral da Academia e Domingos Simões Pereira, secretário executivo da CPLP, entre outros.
Lauro Moreira, emocionado, agradeceu a homenagem e citou em seu discurso que estava muito feliz por todo carinho que recebeu dos portugueses em sua estadia no país e que era uma honra encerrar 45 anos de carreira diplomática num país mãe da língua portuguesa. Após a cerimonia, o homenageado recebeu os parabéns dos convidados e falou ao lado de sua esposa Liana Lys a quadros-cultura.com da emoção que sentiu ao fazer o seu discurso: “O que se passou aqui hoje foi uma coisa única na minha vida. Eu fiz um discurso em que deixei falar muito a emoção, em que procurei mostrar um pouco o que é a lusofonia para mim, como ela se construiu, o que ela representa para nós todos. É um espírito que emerge de 500 anos de convivência, cimentada pelo grande instrumento de aproximação que é a língua portuguesa”, disse Lauro.
 Liana Lys: "Fiquei muito emocionada, porque sei o tanto que Portugal e esse trabalho na CPLP significa para ele".
Liana Lys completou falando do prazer de acompanhar o seu esposo por mais de 30 anos: “Ele estar encerrando uma carreira num lugar que ele sempre prezou muito, é a “cereja em cima do bolo”. Foi muito especial mesmo! Eu já presenciei inúmeras palestras que ele fez, mas hoje ele conseguiu colocar para fora completamente a alma dele. Eu vi o Lauro se mostrar em toda a sua plenitude, com toda a sua alma. Fiquei muito emocionada, porque sei o tanto que Portugal e esse trabalho na CPLP significa para ele e a emoção com que ele estava. Fiquei com o maior orgulho”, confidenciou Liana.
Quadros-cultura.com não poderia deixar passar esta oportunidade para se juntar à multidão de vozes de felicitação, por este tão merecido “prémio de carreira”, em especial neste dia 10 de Fevereiro, aniversário do embaixador Lauro Moreira. Parabéns!
(fotos João Teixeira)
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 7th fevereiro, 2010

Porque Cachaça também é Cultura
 Embaixador Lauro Moreira: "Pouco a pouco o controlo de qualidade foi melhorando e generalizando-se. A própria embalagem, que passou do tipo de garrafa de vinho ou de cerveja, fechada com “carica”, para um estilo de embalagem mais internacionalmente aceite".
Todos os últimos sábados de cada mês, no Restaurante Uai, em Lisboa, reúne-se a Confraria Clube da Cachaça de Portugal, fundada a 22 de Outubro de 2005, sob a égide do presidente da Confraria Clube da Cachaça de Brasília, onde se provam diferentes cachaças acompanhadas da genuína comida tradicional de Minas Gerais.
Roberto da Silveira, advogado português e confrade co-fundador explica que, “para além de dar a conhecer a cachaça, é o convívio, conversar sobre o Brasil, sobre as coisas boas da vida. Todas as pessoas são bem-vindas. Todos se podem sentar à mesa da Confraria”, convida Silveira.
 Roberto Silveira: "depois que descobri a cachaça artesanal, pra mim acabou a caipirinha!"
Como nos lembra António Gomes, também português e presidente da Confraria, “foi com a cachaça que D. Pedro I brindou a independência do Brasil”. Vale lembrar que este gesto foi repetido pelo ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, na comemoração dos 500 anos do “descobrimento do Brasil”, celebrada em Porto Seguro, na Bahia, em 2000, onde FHC fez um brinde com a legítima cachaça brasileira.
Lauro Moreira, embaixador do Brasil junto à CPLP, cachaçólogo e promotor de longa data do destilado brasileiro, explica a quadros-cultura.com: “A cachaça começa por surgir no Brasil no séc. XVI, destilada da cana de açúcar levada pelos portugueses da Ilha da Madeira. Inicialmente muito fermentada, bebida pelos escravos para resistirem melhor ao rigor do trabalho, ficou por isso muito associada às classes populares. De há cerca de 15 anos para cá começou-se a tomar mais consciência de que aquela “bebida do povão” era um produto muito bom. E começou a haver uma grande campanha para a sua valorização, melhoria de qualidade de produção, em termos de certificação, e do seu consumo mais consciente. Hoje a cachaça é um produto que é o grande orgulho do Brasil”, conclui Lauro Moreira.
 "Cachaça artesanal é um produto natural, resultado da fermentação do suco da cana de açúcar e da sua destilação. Não há mais nada!"
Segundo Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), estudioso da cultura brasileira, foi precisamente essa ligação da cachaça com as classes mais baixas que a fez preservar a sua autenticidade. “É curioso que no Brasil não haja mais estudos sobre a ligação da cachaça com a cultura, uma vez que essa relação é fortíssima”, lembra ainda o embaixador Lauro Moreira.
O Brasil produz anualmente mais de 1,4 mil milhões de litros de cachaça representando cerca de 370 milhões de Euros. No segmento artesanal, as cachaças são processadas em empresas tipicamente familiares e de baixa escala de produção. Além de melhorar a qualidade de vida do agricultor, a produção de cachaça traz estabilidade financeira, gera trabalho, elimina o êxodo rural e promove o desenvolvimento comunitário e a conscientização ambiental. Só no estado de Minas Gerais, gera atualmente cerca de 160.000 postos de trabalho, beneficiando cerca de 390.000 pessoas.
 Cíntia Cardoso: "degustar e procurar sabores e odores".
Cíntia Cardoso, representante da cachaça artesanal Diva, que iniciou a sua comercialização há 6 anos, contando com António Gomes como um dos seus primeiros clientes e que inaugurou há um ano uma filial em Portugal, ajuda-nos a entender que a cachaça é para ser degustada e o gosto educado para a apreciar: “Primeiro deve rodar o destilado no copo e observar a forma em lágrima como ela desce pelo vidro, a formação de bolhas de ar quando agitada, os odores a madeira, o sabor a alegria…” – explica Cíntia – “A cachaça é envelhecida em barris de madeira durante 2-3 anos”.
 Último sábado de cada mês, todos são bem vindos à mesa da Confraria!
Portugal importa 700 mil litros de cachaça brasileira por ano, sendo cerca de 98% industrializada. Lauro Moreira sublinha a pureza e nobreza da cachaça artesanal quando comparada com a industrializada, produzida em grandes quantidades e utilizada para misturar em drinks como a famosa caipirinha: “Na cachaça artesanal, os primeiros 10% da prensagem inicial da cana de açucar e cerca de 20% da prensagem final acabam por não ser utilizadas para a destilação, sendo apenas aproveitada a chamada “cachaça do coração”, representando os outros 70%”. Lauro lembra ainda uma conversa que teve um dia com um produtor de cachaça do estado de Espírito Santo, que lhe confidenciou: “O Brasil inteiro faz cachaça, não é difícil fazer cachaça, mas existem 3 requisitos fundamentais e essenciais: honestidade, honestidade e honestidade”.
Confraria Clube da Cachaça de Portugal
Restaurante Uai
Rocha Conde de Óbidos, Armaz.114, Lisboa
Último sábado de cada mês, 13h00
Telef.: 213 900 111 E-mail: uai@uai.pt
(fotos João Teixeira)
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