Em grande estilo Seu Jorge e banda cantaram e encantaram o público em Lisboa
A espera valeu a pena!… o concerto na noite de sexta feira (9), do artista brasileiro Seu Jorge e sua “orquestra tropical”, formada por 14 excelentes músicos e suas variadas percussões, incluindo trompetes, saxofones, violino e harmônica, encantaram o público presente no Campo Pequeno. O artista subiu ao palco trajando jeans e óculos escuros e abriu o espetáculo cantando “América do Norte” (Seu Jorge/Gabriel Moura), “Samba Rock” (Gabriel Moura/Jovi Joviano) e “Trabalhador” (Seu Jorge), do seu mais recente álbum “América Brasil”. Logo nas primeiras músicas o público, grande maioria de pé junto ao palco, começou a dançar e formar um grande coro entoando as músicas com o artista. E claro, como não poderia deixar de ser, a comunidade brasileira marcou presença em peso para prestigiar o compatriota. No meio da multidão era possível ouvir bem alto: “Seu Jorge, seja bem vindo a Lisboa!”.
A noite, além do bom repertório musical, também teve pedido de casamento ao vivo e a cores no palco.
O público se surpreendeu quando Seu Jorge chamou ao palco um fã, João, que tinha feito um pedido muito especial via email. De repente aparece João, com um buquê de flores na mão, e declarou seu amor a namorada Ana, pedindo-a em casamento frente aos olhares curiosos de milhares de pessoas. O momento foi digno de uma boa cena de filme romântico e para completar o encanto, o casal brindou o momento com champanhe oferecido por Seu Jorge e Banda. E mais surpresa foi apresentada ao público com o Trio Preto, que com pandeiros nas mãos, arrancaram aplausos e mostraram a força do instrumento nas mãos de profissionais.
Outro momento marcante da noite foi quando Seu Jorge esteve só ele e seu violão em palco e recordou “Life on Mars?” e “Rebel Rebel”, versão em português de temas de David Bowie, clássico que fez parte trilha sonora do filme “Um Peixe Fora d’Água”.
Deixou também seu recado político com canções de Leci Brandão, “Zé do Caroço” e versos de “Nego Drama”, original do grupo de rap brasileiro Racionais MC’s. Ao término falou emocionado: “É duro o texto, mas é a pura verdade”, explicando acerca do tema do poema que fala sobre as dificuldades da vida nas favelas.
O público ouvia atentamente sua declaração, quando Seu Jorge começa a cantar mais um grande sucesso bastante conhecido do público, gravado anteriormente por ele e Ana Carolina: “É Isso Aí” (Damien Rice) e em seguida “Pessoal e Particular”, “A Namorada” (Carlinhos Brown). E Seu Jorge despede-se do público, ou pelo menos tenta, porque empolgados pedem num grande coral a sua volta e ele atende. Cantou “Burguezinha” (Seu Jorge/Gabriel Moura/Pretinho da Serrinha) e fez uma homenagem ao saudoso Tim Maia cantado “Sossego”. E como o público continuava cantando e dançando, Seu Jorge antecipou o carnaval em Lisboa e transformou o Campo Pequeno num verdadeiro sambódromo lisboeta cantando várias marchinhas de carnaval, tais como: “O Teu Cabelo Não Nega”, “Mamãe Eu Quero”, “Maria Sapatão”, “Cabeleira do Zezé”, “Allah-Lá-Ô”, “Cachaça” e “A Jardineira”. E assim Seu Jorge e seus 14 músicos se despediram do público lisboeta, depois de mais de duas horas de uma grande festa.
Logo após o espetáculo, a cantora e compositora brasileira Luanda Cozetti confessou a quadros-cultura.com ser uma grande admiradora do artista (“sou devota de S. Jorge e de todos os Jorges… por isto sou devota incondicional de Seu Jorge”). “Este disco dele, América Brasil, ouço todos dias em casa. Pra mim o concerto foi de um brilho sem igual; curti do inicio ao fim” declarou.
A estudante portuguesa Carolina também declarou ser fã incondicional do artista e sentiu-se muito honrada com a música “Carolina”, a qual Seu Jorge dedicou a todas as Carolinas de Portugal. Claudinha Goes, produtora e estudante de doutorado em musicologia, comentou: “Estou em Lisboa há um ano e meio para estudar a difusão da musica brasileira em portugal após a crise nas gravadoras brasileiras e, claro, jamais poderia deixar de assistir uma apresentação do Seu Jorge; o conheço pessoalmente e todos os músicos que o acompanham e hoje foi o máximo sua apresentação” disse.


O Bairro de Alfama, em Lisboa, não vive só das Festas nos Santos Populares, das sardinhas assadas, das Marchas de Santo António e do Fado. Um francês, Thierry Riou, deixou seu trabalho de 15 anos como jornalista numa rádio em Paris para abrir, juntamente com a sua família, no bairro mais típico de Lisboa, o OndaJazz, onde a música do mundo acontece de terça a domingo, a partir das 22h00.
Iniciada em 2004, localizada por entre as escadarias seculares de Alfama, celebrará em Janeiro de 2010 o seu milésimo show, sempre com amor e paixão. Por esta “Onda” – em homenagem ao rio Tejo que ali em baixo abraça o mar – passa toda fusão, entre músicos africanos, europeus e brasileiros, para além do flamengo e da música cubana, num verdadeiro intercâmbio cultural, onde a música se faz viva e não comercial.
Filha do activista, jornalista e professor português Alipio de Freitas, de Trás-os-Montes, a brasileira Luanda Cozetti é uma das habituais do palco do OndaJazz, com o seu projecto “Couple Coffee”, juntamente com o brasileiro Norton Daiello. Já no seu 3º CD, com edições no Brasil e em Portugal, nasceu em Brasília e já viveu na Guiné-Bissau – um verdadeiro exemplo vivo do cadilho cultural do OndaJazz.
No palco do OndaJazz já estiveram, além de Luanda, vários outros artistas brasileiros, entre eles o carioca Marcos Amorim que, num intervalo de sua turnê com Lili Araújo por outros países europeus, esteve em Lisboa pela primeira vez, exclusivamente para mostrar seu talento musical. Marcos falou ao “Quadros-Cultura” da alegria de mostrar seu amor à arte aos freqüentadores assíduos do OndaJazz. “Foi com muito prazer que aceitei o convite e estou mesmo aqui por amor aquilo que mais gosto de fazer, que é mostrar meu talento através da arte musical”.



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