3rd fevereiro, 2010

Choro brasileiro faz renascer Lusitano Clube

Roda de Choro de Lisboa anima noites de Alfama

Lusitano Clube - João Teixeira

aulas de dança por professor carioca

Por necessidade de um espaço dedicado à cultura e ao desporto, e também um local onde pudessem ter as suas reuniões secretas, um grupo ligado à maçonaria, que conspirava contra a monarquia, fundou em 1 de Dezembro de 1905, em Lisboa, o Lusitano Clube de Alfama, sob o lema “Instruir para Construir”.

Ainda hoje, nas paredes da casa, é possível ver cada detalhe de seus mais de cem anos de existência. Uma bandeira original do clube, preservada numa moldura envidraçada, já com as cores da bandeira da república, mas criada cinco anos antes da sua proclamação, fotografias e recortes de jornais, entre outras, compõe um pouco da historia da centenária casa.

Lusitano Clube - João Teixeira

Luis Carvalho, presidente Lusitano Clube: "saimos do coma, temos gente, estamos vivos, e demos à cidade de Lisboa um novo espaço cultural"

O Lusitano teve seus anos de glória, mas a partir dos anos sessenta passou por uma fase de declínio. Em Maio de 2008, a soma de esforços de uma equipe diretiva que acredita na cultura fez o centenário e histórico clube renascer das cinzas. Hoje o Lusitano Clube é um local com vida, um ambiente com uma vasta programação cultural, uma autêntica referência de cultura onde sócios e visitantes encontram, entre outras vertentes artísticas, aulas de dança de salão, forró e gafeira.

“Estamos numa zona histórica, com uma população muito envelhecida, com falta de instalações condignas, totalmente inadequadas à realização destes eventos culturais… os dirigentes políticos têm de ter um programa de apoio a estas instituições centenárias, e não é com uma política de “subsídios” – reclama Luis Carvalho, presidente do Clube.

Roda Choro de Lisboa - João Teixeira

Roda de Choro de Lisboa é a banda residente do centenário Lusitano Clube, um marco entre as instituições lisboetas

As noites de terça-feira são animadas pelo grupo Roda de Choro de Lisboa, formado por dois brasileiros, dois portugueses e um francês: Eduardo Miranda (bandolim), Alexandre “Barriga” Santos (percussão), Nuno Gamboa (violão de 7 cordas e direção artística), Carlos “Bisnaga” Lopes (acordeão e direção musical) e Etienne Lamaison (clarinete), levam alegria a um público de algumas centenas, apreciador dos eventos da casa, e aos alunos, que colocam em prática suas aulas de dança que freqüentam no local. Roda de Choro de Lisboa, que de choro não tem nada e sim muita alegria, é hoje uma referência para todos aqueles que curtem a boa musica brasileira no coração de Lisboa.

Lusitano Clube – Rua São João da Praça, nº 81, Lisboa (Alfama)
Telefone: 218 869 472
e-mail: lusitanoclube@hotmail.com

(fotos João Teixeira)
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7th dezembro, 2009

Movimento Bossa Nova na Fábrica Braço de Prata

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Silvia Nazário e Claudio Kumar alimentam a Bossa sempre Nova

a bossa nova tem atraído novos públicos em Portugal, nos últimos dois anos

a bossa nova tem atraído novos públicos em Portugal, nos últimos dois anos

Bossa e Outras Novas”, um espetáculo com belas canções, pela voz de Sílvia Nazário e direção de Claudio Kumar, encerrou a sua temporada de 2009 numa antiga fábrica de armas que alimentou a guerra colonial portuguesa, transformada em Centro Cultural – Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, sábado (5), onde à noite acontece de toda a cultura um pouco.

Silvia Nazário, natural de Maceió, Alagoas e Claudio Kumar, de Curitiba, são dois artistas brasileiros que já apresentaram a sua arte em palcos de norte a sul do Brasil. Silvia, além de cantora e interprete é também compositora e já foi premiada com um dos mais renomeados prêmios na categoria de musica brasileira, o Troféu Caymmi, em 1989.

o carinho dos portugueses conquistou seus corações

o carinho dos portugueses conquistou seus corações

Já percorreram vários outros países, mostrando a cultura musical brasileira, entre eles a Índia, com que Silvia disse ter-se identificado bastante. Mas foi depois de umas férias em Lisboa que resolveram ficar por aqui. Já lá vão mais de vinte anos que cantam e encantam a comunidade brasileira e o público português. Silvia e Claudio declaram o amor e carinho com que foram recebidos pelos portugueses, e baseados nisto resolveram fixar residência na terra de Fernando Pessoa.

Na Fábrica Braço de Prata a dupla se apresenta há já algum tempo, em diferentes versões deste espetáculo, que já leva dois anos de estrada, ora com convidados especiais, ora em forma de workshop, explicando ao público este movimento.

Braço de Prata, fábrica de cultura

Braço de Prata, fábrica de cultura

“A bossa nova tem conquistado muito o público português. Não só os mais maduros, mas acontece por vezes termos um público completamente de adolescentes, fãs incondicionais que vêm a todos os nossos espetáculos. É um fenômeno muito bonito, que tem acontecido nos últimos dois anos” – sublinhou Silvia.

O concerto “Bossa e Outras Novas”, como o próprio nome diz, é composto por um repertório bastante heterogêneo, onde Sílvia Nazário e Claudio Kumar interpretam canções daquilo que entendem como um “movimento”, onde cabem “outras Novas”, como um funk de Gilberto Gil, um baião, Djavan, Ivan Lins, Lenine, composições de sua própria autoria, “de Jobim aos índios Saruí!”, como gostam de afirmar.

criatividade, sensibilidade e espiritualidade

criatividade, sensibilidade e espiritualidade

O casal falou ao site “quadros-cultura.com” sobre seus planos para o ano seguinte: “Em 2010 vamos continuar a mostrar este movimento, em formato de quinteto, quarteto e trio, num espetáculo amplo e abrangente em constante renovação, mostrando as suas influências, não só as características originais dos anos 60, mas também o antes e depois, inclusive as músicas que foram influenciadas pela bossa nova”.

Silvia está com seu mais recente CD à venda, “Tupi Mata Verde”, e com um outro espetáculo em mãos, “Sotaques”, que estreou na Casa da América Latina recentemente. “Este espetáculo é uma parceria com três grandes músicos portugueses, Rogério Charraz (voz), Rodrigo João Coelho (bateria) e José Canha (baixo e contrabaixo), que no próximo ano pretendo apresentar ao publico de

Sotaques e Bossa NOVA para 2010

Sotaques e Bossa NOVA para 2010

Braço de Prata também. E como é uma fusão da musica brasileira com a musica portuguesa, espero também levar até aos palcos brasileiros em breve.” – disse Sílvia Nazário.

Parabéns ao Nuno Nabais, que dirige esta “sua Fábrica”, abrigando várias expressões culturais em simultâneo, em vários espaços, numa verdadeira colmeia de saberes e vivências inter-culturais, fazendo a Paz num lugar outrora de guerra.

(fotos João Teixeira)

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