10th junho, 2010

Sucesso mineiro em Lisboa

O músico brasileiro Luiz Gabriel fala de suas novas conquistas musicais com os europeus

Um jovem músico brasileiro de passagem por Lisboa, Luiz Gabriel, (integrante do grupo Graveola e o Lixo Polifônico) é oriundo da capital mineira, Belo Horizonte. O grupo é composto por; Luiz Gabriel, José Luis, Marcelo, Bruno, Yuri, Luisa, Flávia e Flora, o mesmo já conquistou as paradas de sucesso no Brasil e este ano realizou a  primeira turnê européia.

Graveola e o Lixo Polifônico

Além de Lisboa, apresentaram-se na Itália, onde participaram no  IX Brasil Festival de Ferrara e, fizeram ainda uma apresentação em Paris. Mostraram ao velho mundo um repertório de composições próprias alinhadas com a tradição da rica canção popular brasileira, mas atualizada pela influência do indie e do pop, encantando e conquistando novos fãs por onde passaram.

O grupo Graveola voltou para o Brasil e Gabriel ficou em Lisboa para realizar apresentações até Agosto, em diversas casas lisboetas, entre elas Onda Jazz, o Bacalhoeiro e o Palacete da Estefânia, onde se apresentará com o músico português João Pires, que atualmente reside em Belo Horizonte, no Brasil.

Como bom mineiro, o músico e compositor Luiz Gabriel foi falando aos poucos de suas novas conquistas em terras lusas ao “quadros-cultura.com”. Desta feita, falou das novas experiências de trabalho e da convivência com os músicos portugueses e brasileiros residentes em Portugal.

Luiz Gabriel - "Em Lisboa fomos bem recebidos"

"Em França conheci uns malucos de música experimental"

QC: Graveola e o Lixo Polifônico, apesar de ser um grupo relativamente novo, vocês já alcançaram sucesso no Brasil. Como surgiu a vinda para o continente europeu?
LG: É verdade que temos um público muito fiel em nossa cidade, Belo Horizonte, além de um bocado de ouvintes espalhados pelo país, muito,  graças à divulgação de nossa música na internet. Mas ainda temos muito espaço a conquistar por lá…! Sobre a vinda p’ra Europa, tivemos um projeto aprovado no Ministério da Cultura, graças ao convite do festival em Ferrara – Itália  e, aí resolvemos passar também por Lisboa, onde temos alguns amigos, como também por Paris. Foi muito bacana!

QC: Qual a sua opinião sobre o apoio dos governantes à  cultura brasileira?

LG: Não tenho acompanhado muito de perto o que se passa nessa discussão, mas pela minha vivência prática, acho que posso dizer que sou de uma geração muito beneficiada pelos projetos de apoio à cultura. É facto que existe ainda uma série de dificuldades de formação de um mercado sustentável, principalmente numa cidade de médio porte como Belo Horizonte… e tivemos um bocado de problemas recentemente por lá, em relação à postura do atual prefeito, Márcio Lacerda, no que diz respeito a isso – muita negligência e descaso, e uma grande falta de sensibilidade com a prolífica cena artística da cidade. Mas é mesmo um processo gradual, e acredito que o cenário é promissor: há imensas possibilidades de acção e crescimento desse mercado, para que a produção tenha maiores condições de sustentabilidade a médio e longo prazo e possa atingir mais lugares.

"Felizmente tenho um bocado de concertos p’ra fazer...!"

"Este período aqui me permite desenvolver um repertório de canções que ainda não estão no Graveola"

QC: O grupo Graveola já possui dois CDs gravados. Tem algum projeto para gravação do terceiro?
LG: Na verdade temos um disco, de 2009, e o “um e meio”, que é uma espécie de trabalho intermediário, de experimentação mais livre. Temos vontade de gravar um novo álbum o quanto antes, até porque músicas já temos de sobra (felizmente até hoje não tivemos nenhum tipo de “crise criativa”…!). Falta apenas conseguir arranjar as condições p’ra isso; algum tipo de apoio pra financiar o projeto, porque no momento atual não temos como bancá-lo por conta própria. Mas o nosso foco principal tem sido conseguir rodar mais pelo Brasil – e para tanto, estamos à busca de patrocínio para um projeto que temos aprovado na lei estadual de incentivo à cultura.

QC: Conta um pouco desta experiência com a cultura européia dos novos fãs e a convivências com as pessoas.
LG: Principalmente aqui em Lisboa fomos recebidos por uma malta muitíssimo “fixe”, amigos de amigos que formam uma rede transnacional de relações afetivas e isso é maravilhoso. Existe hoje um movimento forte de intercâmbio entre Belo Horizonte e Lisboa. Há artistas daqui morando lá (Susana Travassos, João Pires), e um bocado de belorizontinos vindo p’ra cá… É mesmo muito engrandecedor ter contato com outras culturas e modos de vida e arte. Acredito que quando voltar serei outro, com horizontes expandidos e novas idéias na cabeça. E, uma vez feita a ponte, p’ra voltar fica bem mais fácil!

"Acredito que quando voltar serei outro"

QC: Qual foi o país que mais surpreendeu em termos musicais, além daquilo que já tinha conhecimento?
LG:
Cada um à sua maneira, todos têm peculiaridades musicais muito bacanas. Na Itália tocamos com um conjunto de gypsy jazz, o Les Touches Fouches, que faz um som maravilhoso, na França conheci uns malucos de música experimental com um trabalho igualmente interessante… e aqui em Lisboa estou começando a conhecer mais de perto a diversidade das cenas. Há bons músicos em toda parte e em vários estilos. Do fado ao jazz, me interesso em tocar com todos e absorver algo de sua cultura sonora.

"Me interesso em tocar com todos e absorver algo de sua cultura sonora"

QC: O Grupo foi embora e você ficou. Como isto aconteceu?
LG: Além da vontade pessoal de conviver um tempo mais com as pessoas que tanto nos acolheram, em termos musicais, este período aqui me permite desenvolver um repertório de canções que ainda não estão no Graveola, trabalhá-las como intérprete em arranjos para voz e violão, amadurecê-las. E tive um convite para fazer uma residência no Onda Jazz que veio muito a calhar, e acabou sendo o motivo principal da minha volta. O programador da casa, o Thierry, é um cara muito “gente boa”, curtiu o trabalho do Graveola e pôs as portas abertas pró que eu quisesse desenvolver por lá. Mas agora já começo a agendar datas também em outros espaços.

"Não pretendo adiar a passagem mais uma vez porque realmente preciso voltar ao Brasil"

QC: Você tem alguns trabalhos agendados por aqui. Já estar com agenda completa até Agosto?
LG: Felizmente já tenho um bocado de concertos p’ra fazer…! Agora no fim de junho, no dia 24, já faço um concerto com o João Pires, um camarada lisboeta que conheci em Belo Horizonte, depois tenho outras datas agendadas… Para quem quiser conferir, é só acessar meu myspace: www.myspace.com/lglopes

QC: Depois de Agosto, caso surja novos convites é possível ficar de vez em terras pombalinas?

LG: Não pretendo adiar a passagem mais uma vez porque realmente preciso voltar ao Brasil. Já tenho um bocado de compromissos com o Graveola para segundo semestre e, intento fortalecer ao máximo o trabalho com o grupo. Estamos num bom momento por lá e quero estar presente nesse processo.

VN:F [1.9.3_1094]
gostou?
Rating: 5.0/5 (4 votes cast)
Compartilhe - seus amigos agradecem:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • NewsVine
  • Reddit
  • StumbleUpon
  • Google Bookmarks
  • Yahoo! Buzz
  • Twitter
  • Technorati
  • Live
  • LinkedIn
  • MySpace
  • email
  • PDF
  • RSS
18th março, 2010

Flávia Bittencourt em tournê pela Europa

Uma nordestina no velho continente

Flávia Bittencourt, uma jovem nordestina que deixou sua terra natal e um curso de farmácia numa universidade federal, para realizar um sonho que descobriu ainda no colegial: ser cantora profissional.

Flávia começou as primeiras apresentações em São Luís, Maranhão, onde residia com sua família. Mas logo percebeu que precisava se aperfeiçoar mais na profissão e mostrar seu canto ao maior número de pessoas possível. Em 2000, enchendo-se de coragem disse à família que ia mudar para a maior metrópole da América Latina – São Paulo.

Seguiu viagem sozinha, apenas acompanhada do sonho de fazer aquilo que mais gosta: cantar! Além do sonho e da bagagem, tinha o endereço de uma amiga com quem ia dividir uma casa.

Lá chegando, entrou para uma faculdade de musica, onde estudou canto erudito e popular. Mas logo teve de abandonar, devido às solicitações por suas apresentações em casas de espetáculo. Em 2005 gravou seu 1º CD, “Sentidos”, uma produção independente. Sua voz encorpada logo chamou a atenção da mídia e uma de suas interpretações, “Terra de Noel”, de Jozias Sobrinho, fez parte da trilha sonora de “América”, a popular novela da Tv Globo Brasil. “Sentidos” acabou por ser lançado pela gravadora Som Livre.

O pai de Flávia, apesar de desejar que a filha tivesse uma profissão por formação acadêmica em farmácia, falou da filha ao grande cantor, compositor e sanfoneiro Dominguinhos, que conheceu num congresso. O mestre da musica popular brasileira não esqueceu, e quando esteve numa apresentação em São Paulo com Flávia, logo descobriu a menina cantora de quem seu pai tão orgulhosamente havia falado.

Os dois artistas se tornaram grandes amigos, e este ano Flávia gravou o CD “Todo Domingos”, em homenagem ao mestre, de quem disse ter aprendido muito, com seu talento, simplicidade e simpatia.

E foi para o lançamento de “Todo Domingos” que Flávia, acompanhada de três excelentes músicos – Leandro Saramago (violão 7 cordas), Dudu Oliveira (flauta e bandolim) e Netinho (pandeiro e percussão) – veio à Europa, mostrar aqui, do outro lado do oceano, por que em seu país é considerada uma das mais talentosas revelações musicais.

Em sua estreia em Lisboa, foi entrevistada para a rádio e televisão, onde colocou em palco todo o seu talento e carisma nortenho, e fez belas apresentações, no Bar Restaurante Speakeasy, no Onda Jazz (com o percussionista angolano Ruca Rebordão) e no Chapitô, onde foi muito bem recebida por uma plateia que interagia com aplausos e até acompanhava Flávia nos refrães. Antes de uma destas apresentações, Flávia falou a quadros-cultura.com sobre sua trajetória musical:

Quadros-Cultura.com – Explica como uma menina da classe média maranhense vai morar sozinha em São Paulo e cantar na noite paulistana.
Flávia Bittencourt
– No início foi bem difícil convencer meus pais de que eu queria mesmo era ser cantora e não farmacêutica, como minha mãe. Queria estudar musica e seguir minha carreira de cantora. Minha mãe foi quem primeiro me apoiou. Falou com meu pai e convenceu-o de que era aquele o meu sonho e que era para me deixar ir morar em São Paulo.

QC – Em São Paulo como tudo aconteceu?
FB – Logo que cheguei, me matriculei numa faculdade de música. Mas quando comecei a me apresentar nos bares e nos teatros do SESC tive que deixar, porque os horários não davam para cantar e frequentar as aulas ao mesmo tempo e eu também precisava ganhar dinheiro para me manter.

QC – E o forró, como entrou para seu repertório musical?
FB – Eu sempre ouvia muito lá no Maranhão; como você sabe, nas festas juninas a gente ouve muito. E, quando fui fazer uma apresentação no Teatro Artur Azevedo, fiz uma pesquisa de músicos maranhenses: Jozias Sobrinho, João Teixeira e vários outros. Foi este trabalho que levei para São Paulo. Na verdade, eu já tinha esta tendência para cantar músicas regionais, e lá ficou mais forte ainda, porque bateu a saudade da minha terra.

QC – E o encontro com o Dominguinhos como aconteceu?
FB – Conheci o Dominguinhos em São Paulo, num show. Ele assistiu uma apresentação minha, gostou e me convidou para cantarmos uma música juntos. A partir daquele dia ficamos amigos. Gostei muito dele, não só como cantor, mas especialmente como ser humano; uma pessoa muito simples, humilde, muito humano; aprendi muito com ele, e daí resolvi gravar “Todo Domingos” em sua homenagem.

QC – O que a música de raiz representa para você?
FB – Para mim é como o próprio nome indica: fala das nossas raízes, do nosso dia-a-dia, como “Lamento Sertanejo” de Dominguinhos e Gil.

QC – E, para vir se apresentar aqui na Europa, você contou com algum apoio?
FB – Tive apoio do Estado do Maranhão. Fiz um projeto indicando os países onde ia me apresentar por aqui – Portugal, França, Itália e Bélgica – daí eles nos pagaram as estadias e as passagens.

QC – Como aconteceu o convite para apresentar seu trabalho aqui na Europa?
FB – Tudo começou em 2007, quando uma empresária francesa, Clélia Morali, tomou conhecimento do meu trabalho através de um cantor brasileiro, o Marcos Sacramento. Fui fazer uma divulgação do meu primeiro CD “Sentidos”, gostaram e agora estou de volta e me apresento dia 19 em Paris, 20 em Toulouse, 27 em Marselha, 30 em Toulon e dia 31 em Nice. Foi a partir deste convite que organizámos os outros concertos na Itália e Bélgica.

(fotos João Teixeira)
VN:F [1.9.3_1094]
gostou?
Rating: 5.0/5 (2 votes cast)
Compartilhe - seus amigos agradecem:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • NewsVine
  • Reddit
  • StumbleUpon
  • Google Bookmarks
  • Yahoo! Buzz
  • Twitter
  • Technorati
  • Live
  • LinkedIn
  • MySpace
  • email
  • PDF
  • RSS

 Powered by Max Banner Ads