O músico brasileiro Luiz Gabriel fala de suas novas conquistas musicais com os europeus
Um jovem músico brasileiro de passagem por Lisboa, Luiz Gabriel, (integrante do grupo Graveola e o Lixo Polifônico) é oriundo da capital mineira, Belo Horizonte. O grupo é composto por; Luiz Gabriel, José Luis, Marcelo, Bruno, Yuri, Luisa, Flávia e Flora, o mesmo já conquistou as paradas de sucesso no Brasil e este ano realizou a primeira turnê européia.
Além de Lisboa, apresentaram-se na Itália, onde participaram no IX Brasil Festival de Ferrara e, fizeram ainda uma apresentação em Paris. Mostraram ao velho mundo um repertório de composições próprias alinhadas com a tradição da rica canção popular brasileira, mas atualizada pela influência do indie e do pop, encantando e conquistando novos fãs por onde passaram.
O grupo Graveola voltou para o Brasil e Gabriel ficou em Lisboa para realizar apresentações até Agosto, em diversas casas lisboetas, entre elas Onda Jazz, o Bacalhoeiro e o Palacete da Estefânia, onde se apresentará com o músico português João Pires, que atualmente reside em Belo Horizonte, no Brasil.
Como bom mineiro, o músico e compositor Luiz Gabriel foi falando aos poucos de suas novas conquistas em terras lusas ao “quadros-cultura.com”. Desta feita, falou das novas experiências de trabalho e da convivência com os músicos portugueses e brasileiros residentes em Portugal.
QC: Graveola e o Lixo Polifônico, apesar de ser um grupo relativamente novo, vocês já alcançaram sucesso no Brasil. Como surgiu a vinda para o continente europeu?
LG: É verdade que temos um público muito fiel em nossa cidade, Belo Horizonte, além de um bocado de ouvintes espalhados pelo país, muito, graças à divulgação de nossa música na internet. Mas ainda temos muito espaço a conquistar por lá…! Sobre a vinda p’ra Europa, tivemos um projeto aprovado no Ministério da Cultura, graças ao convite do festival em Ferrara – Itália e, aí resolvemos passar também por Lisboa, onde temos alguns amigos, como também por Paris. Foi muito bacana!
QC: Qual a sua opinião sobre o apoio dos governantes à cultura brasileira?
LG: Não tenho acompanhado muito de perto o que se passa nessa discussão, mas pela minha vivência prática, acho que posso dizer que sou de uma geração muito beneficiada pelos projetos de apoio à cultura. É facto que existe ainda uma série de dificuldades de formação de um mercado sustentável, principalmente numa cidade de médio porte como Belo Horizonte… e tivemos um bocado de problemas recentemente por lá, em relação à postura do atual prefeito, Márcio Lacerda, no que diz respeito a isso – muita negligência e descaso, e uma grande falta de sensibilidade com a prolífica cena artística da cidade. Mas é mesmo um processo gradual, e acredito que o cenário é promissor: há imensas possibilidades de acção e crescimento desse mercado, para que a produção tenha maiores condições de sustentabilidade a médio e longo prazo e possa atingir mais lugares.
QC: O grupo Graveola já possui dois CDs gravados. Tem algum projeto para gravação do terceiro?
LG: Na verdade temos um disco, de 2009, e o “um e meio”, que é uma espécie de trabalho intermediário, de experimentação mais livre. Temos vontade de gravar um novo álbum o quanto antes, até porque músicas já temos de sobra (felizmente até hoje não tivemos nenhum tipo de “crise criativa”…!). Falta apenas conseguir arranjar as condições p’ra isso; algum tipo de apoio pra financiar o projeto, porque no momento atual não temos como bancá-lo por conta própria. Mas o nosso foco principal tem sido conseguir rodar mais pelo Brasil – e para tanto, estamos à busca de patrocínio para um projeto que temos aprovado na lei estadual de incentivo à cultura.
QC: Conta um pouco desta experiência com a cultura européia dos novos fãs e a convivências com as pessoas.
LG: Principalmente aqui em Lisboa fomos recebidos por uma malta muitíssimo “fixe”, amigos de amigos que formam uma rede transnacional de relações afetivas e isso é maravilhoso. Existe hoje um movimento forte de intercâmbio entre Belo Horizonte e Lisboa. Há artistas daqui morando lá (Susana Travassos, João Pires), e um bocado de belorizontinos vindo p’ra cá… É mesmo muito engrandecedor ter contato com outras culturas e modos de vida e arte. Acredito que quando voltar serei outro, com horizontes expandidos e novas idéias na cabeça. E, uma vez feita a ponte, p’ra voltar fica bem mais fácil!
QC: Qual foi o país que mais surpreendeu em termos musicais, além daquilo que já tinha conhecimento?
LG: Cada um à sua maneira, todos têm peculiaridades musicais muito bacanas. Na Itália tocamos com um conjunto de gypsy jazz, o Les Touches Fouches, que faz um som maravilhoso, na França conheci uns malucos de música experimental com um trabalho igualmente interessante… e aqui em Lisboa estou começando a conhecer mais de perto a diversidade das cenas. Há bons músicos em toda parte e em vários estilos. Do fado ao jazz, me interesso em tocar com todos e absorver algo de sua cultura sonora.
QC: O Grupo foi embora e você ficou. Como isto aconteceu?
LG: Além da vontade pessoal de conviver um tempo mais com as pessoas que tanto nos acolheram, em termos musicais, este período aqui me permite desenvolver um repertório de canções que ainda não estão no Graveola, trabalhá-las como intérprete em arranjos para voz e violão, amadurecê-las. E tive um convite para fazer uma residência no Onda Jazz que veio muito a calhar, e acabou sendo o motivo principal da minha volta. O programador da casa, o Thierry, é um cara muito “gente boa”, curtiu o trabalho do Graveola e pôs as portas abertas pró que eu quisesse desenvolver por lá. Mas agora já começo a agendar datas também em outros espaços.
QC: Você tem alguns trabalhos agendados por aqui. Já estar com agenda completa até Agosto?
LG: Felizmente já tenho um bocado de concertos p’ra fazer…! Agora no fim de junho, no dia 24, já faço um concerto com o João Pires, um camarada lisboeta que conheci em Belo Horizonte, depois tenho outras datas agendadas… Para quem quiser conferir, é só acessar meu myspace: www.myspace.com/lglopes
QC: Depois de Agosto, caso surja novos convites é possível ficar de vez em terras pombalinas?
LG: Não pretendo adiar a passagem mais uma vez porque realmente preciso voltar ao Brasil. Já tenho um bocado de compromissos com o Graveola para segundo semestre e, intento fortalecer ao máximo o trabalho com o grupo. Estamos num bom momento por lá e quero estar presente nesse processo.





















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