6th dezembro, 2009

Márcio Faraco canta “Um Rio”

palco_02

Quarteto Márcio Faraco com Baden Powell

O cantor, violonista, arranjador e compositor brasileiro, radicado em Paris, Márcio Faraco, subiu ao palco do Instituto Franco-Português, em Lisboa, sábado (5), para um novo encontro com o público lisboeta, mostrando seu mais recente trabalho.

marcio_01“Um Rio” é o retorno de Márcio Faraco às suas raízes e à Bossa Nova, na sua forma mais singular e poética, com o perfeccionismo que lhe é característico, cheio de diálogos impossíveis, fragrâncias de infância e paixões silenciosas. Márcio apresentou um repertório deste seu quinto disco e outras, reinventando grandes nomes como Edith Piaf, em “A quoi ça sert l’amour”.

“Kanoê” é o título de uma canção sua que homenageia uma tribo indígena brasileira que foi extinta. Márcio explicou que, numa tentativa de lutar por sua sobrevivência, os últimos homens acabaram mortos num só dia, e as mulheres, ao ficar sabendo do fato, cometeram suicídio coletivo – “Fiquei chocado com a notícia e só me restou fazer uma canção para homenageá-los”.

O gaúcho de Alegrete, terra de Mário Quintana (poeta, tradutor e jornalista brasileiro), no intervalo de cada canção interagia com o público, falando sobre cada composição.

palco_01Além da homenagem à tribo indígena brasileira, Faraco homenageou também Fernando Pessoa, cantado “O Guardador de Rebanhos”, e os dois saudosos imortais representantes da musica popular brasileira, Baden Powell e Vinicius de Moraes, cantando, de suas autoria, “Berimbau”, acompanhado apenas de Philippe Baden Powell (filho de Baden Powell) ao piano.

Márcio Faraco estava acompanhado de Gerson Saeki no baixo, Raul Mascarenhas, em flauta e saxofone, e do pianista Philippe Baden Powell.

O quarteto encerrou o espetáculo, aplaudidos de pé por uma platéia animada, que não deixou de levar “Um Rio” para casa, à venda logo após o concerto.

(fotos João Teixeira)
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18th novembro, 2009

50 anos sem Villa-Lobos

Casa da América Latina celebra o embaixador da música erudita brasileira

villa_lobos_trat

Há 50 anos o mundo ficava sem a presença do grande compositor brasileiro de música erudita, Heitor Villa-Lobos.

quarteto_01O educador e maestro Heitor Villa-Lobos, considerado um dos maiores compositores brasileiros, reinventou a música erudita brasileira, incorporando a música folclórica e popular do índio, do negro e do branco, criando, assim, uma identidade cultural da música erudita brasileira.

Entre 1905 e 1912 desbravou o Norte e Nordeste brasileiros, em busca de novos instrumentos musicais, cantigas de roda e dos repentistas regionalistas, os quais o deixaram impressionado.

violino_01O resultado desta pesquisa deu origem a composições como, entre outras, “Cair da Tarde”, “Evocação”, “Miudinho”, “Canção de Amor” e “Trenzinho Caipira”, além da coletânea “O Guia Prático”, com canções folclóricas voltadas à educação musical nas escolas.

As composições inovadoras e nacionalistas fizeram Villa-Lobos ser coroado o mais expressivo músico da “Semana de Arte Moderna” de 1922, se apresentando nos três dias com três diferentes espetáculos, entre eles “Danças Características Africanas” e “Impressões da Vida Mundana”.

violoncelo_01A crítica ortodoxa não perdoou o maestro por suas inovações e fez duros reparos. Villa-Lobos parte para Paris em 1923, com a ajuda de amigos. Em França, é reconhecido pela vanguarda musical européia, alcançando grande sucesso com suas apresentações e o reconhecimento internacional.

Depois de 30 anos dedicado à música, com quase mil composições, morreu no Rio de Janeiro, vitima de um câncer, em 17 de Novembro de 1959. Mas Villa-Lobos continua vivo na memória de todos aqueles que apreciam o seu trabalho.

O meio século da sua ausência foi relembrado em diversas partes do mundo. Em Lisboa, o maestro, ícone da musica erudita brasileira, foi homenageado no exato dia do aniversário de sua morte, terça-feira (17), na Casa da América Latina, pelo “Quarteto Ibero-Americano de Lisboa”, formado por Ana Beatriz Manzanilla e António José Miranda nos violinos, Pedro Saglimbeni Munoz na viola e Jeremy duo_01Lake no violoncelo – dois venezuelanos, um português e um inglês. O “Quarteto Ibero Americano de Lisboa” interpretou o primeiro e último Quarteto, números 1 e 17, de estilos contrastantes, devido à data da sua composição. O Quarteto nº 17 é também uma das últimas obras do compositor, escrita apenas um ano antes de sua morte.

A homenagem contou ainda com uma apresentação (Duo para Violino e Viola – 1946) interpretada por Ana Beatriz Mozanilla e Pedro Salglinbeni Munoz, composição escrita no Rio de Janeiro e dedicada à grande violinista brasileira Paulina D’Ambrosio.

violino_02Para os músicos que fizeram esta celebração do grande representante da música erudita brasileira, “a maior homenagem que se pode fazer a um compositor é tocar a sua música”. “Foi muito comovente tocar Villa-Lobos, principalmente nesta data…”.

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