Quarteto Márcio Faraco com Baden Powell
O cantor, violonista, arranjador e compositor brasileiro, radicado em Paris, Márcio Faraco, subiu ao palco do Instituto Franco-Português, em Lisboa, sábado (5), para um novo encontro com o público lisboeta, mostrando seu mais recente trabalho.
“Um Rio” é o retorno de Márcio Faraco às suas raízes e à Bossa Nova, na sua forma mais singular e poética, com o perfeccionismo que lhe é característico, cheio de diálogos impossíveis, fragrâncias de infância e paixões silenciosas. Márcio apresentou um repertório deste seu quinto disco e outras, reinventando grandes nomes como Edith Piaf, em “A quoi ça sert l’amour”.
“Kanoê” é o título de uma canção sua que homenageia uma tribo indígena brasileira que foi extinta. Márcio explicou que, numa tentativa de lutar por sua sobrevivência, os últimos homens acabaram mortos num só dia, e as mulheres, ao ficar sabendo do fato, cometeram suicídio coletivo – “Fiquei chocado com a notícia e só me restou fazer uma canção para homenageá-los”.
O gaúcho de Alegrete, terra de Mário Quintana (poeta, tradutor e jornalista brasileiro), no intervalo de cada canção interagia com o público, falando sobre cada composição.
Além da homenagem à tribo indígena brasileira, Faraco homenageou também Fernando Pessoa, cantado “O Guardador de Rebanhos”, e os dois saudosos imortais representantes da musica popular brasileira, Baden Powell e Vinicius de Moraes, cantando, de suas autoria, “Berimbau”, acompanhado apenas de Philippe Baden Powell (filho de Baden Powell) ao piano.
Márcio Faraco estava acompanhado de Gerson Saeki no baixo, Raul Mascarenhas, em flauta e saxofone, e do pianista Philippe Baden Powell.
O quarteto encerrou o espetáculo, aplaudidos de pé por uma platéia animada, que não deixou de levar “Um Rio” para casa, à venda logo após o concerto.
(fotos João Teixeira)


O educador e maestro Heitor Villa-Lobos, considerado um dos maiores compositores brasileiros, reinventou a música erudita brasileira, incorporando a música folclórica e popular do índio, do negro e do branco, criando, assim, uma identidade cultural da música erudita brasileira.
O resultado desta pesquisa deu origem a composições como, entre outras, “Cair da Tarde”, “Evocação”, “Miudinho”, “Canção de Amor” e “Trenzinho Caipira”, além da coletânea “O Guia Prático”, com canções folclóricas voltadas à educação musical nas escolas.
A crítica ortodoxa não perdoou o maestro por suas inovações e fez duros reparos. Villa-Lobos parte para Paris em 1923, com a ajuda de amigos. Em França, é reconhecido pela vanguarda musical européia, alcançando grande sucesso com suas apresentações e o reconhecimento internacional.
Lake no violoncelo – dois venezuelanos, um português e um inglês. O “Quarteto Ibero Americano de Lisboa” interpretou o primeiro e último Quarteto, números 1 e 17, de estilos contrastantes, devido à data da sua composição. O Quarteto nº 17 é também uma das últimas obras do compositor, escrita apenas um ano antes de sua morte.
Para os músicos que fizeram esta celebração do grande representante da música erudita brasileira, “a maior homenagem que se pode fazer a um compositor é tocar a sua música”. “Foi muito comovente tocar Villa-Lobos, principalmente nesta data…”.



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