18th novembro, 2009

50 anos sem Villa-Lobos

Casa da América Latina celebra o embaixador da música erudita brasileira

villa_lobos_trat

Há 50 anos o mundo ficava sem a presença do grande compositor brasileiro de música erudita, Heitor Villa-Lobos.

quarteto_01O educador e maestro Heitor Villa-Lobos, considerado um dos maiores compositores brasileiros, reinventou a música erudita brasileira, incorporando a música folclórica e popular do índio, do negro e do branco, criando, assim, uma identidade cultural da música erudita brasileira.

Entre 1905 e 1912 desbravou o Norte e Nordeste brasileiros, em busca de novos instrumentos musicais, cantigas de roda e dos repentistas regionalistas, os quais o deixaram impressionado.

violino_01O resultado desta pesquisa deu origem a composições como, entre outras, “Cair da Tarde”, “Evocação”, “Miudinho”, “Canção de Amor” e “Trenzinho Caipira”, além da coletânea “O Guia Prático”, com canções folclóricas voltadas à educação musical nas escolas.

As composições inovadoras e nacionalistas fizeram Villa-Lobos ser coroado o mais expressivo músico da “Semana de Arte Moderna” de 1922, se apresentando nos três dias com três diferentes espetáculos, entre eles “Danças Características Africanas” e “Impressões da Vida Mundana”.

violoncelo_01A crítica ortodoxa não perdoou o maestro por suas inovações e fez duros reparos. Villa-Lobos parte para Paris em 1923, com a ajuda de amigos. Em França, é reconhecido pela vanguarda musical européia, alcançando grande sucesso com suas apresentações e o reconhecimento internacional.

Depois de 30 anos dedicado à música, com quase mil composições, morreu no Rio de Janeiro, vitima de um câncer, em 17 de Novembro de 1959. Mas Villa-Lobos continua vivo na memória de todos aqueles que apreciam o seu trabalho.

O meio século da sua ausência foi relembrado em diversas partes do mundo. Em Lisboa, o maestro, ícone da musica erudita brasileira, foi homenageado no exato dia do aniversário de sua morte, terça-feira (17), na Casa da América Latina, pelo “Quarteto Ibero-Americano de Lisboa”, formado por Ana Beatriz Manzanilla e António José Miranda nos violinos, Pedro Saglimbeni Munoz na viola e Jeremy duo_01Lake no violoncelo – dois venezuelanos, um português e um inglês. O “Quarteto Ibero Americano de Lisboa” interpretou o primeiro e último Quarteto, números 1 e 17, de estilos contrastantes, devido à data da sua composição. O Quarteto nº 17 é também uma das últimas obras do compositor, escrita apenas um ano antes de sua morte.

A homenagem contou ainda com uma apresentação (Duo para Violino e Viola – 1946) interpretada por Ana Beatriz Mozanilla e Pedro Salglinbeni Munoz, composição escrita no Rio de Janeiro e dedicada à grande violinista brasileira Paulina D’Ambrosio.

violino_02Para os músicos que fizeram esta celebração do grande representante da música erudita brasileira, “a maior homenagem que se pode fazer a um compositor é tocar a sua música”. “Foi muito comovente tocar Villa-Lobos, principalmente nesta data…”.

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27th setembro, 2009

Samba no Chapitô

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Intercâmbio Cultural nas noites de domingo no CHAPITÔ

Chapitô é uma casa situada bem próximo ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, fundada em 1970 por Teresa Ricou, primeira mulher-palhaço da Europa. No estabelecimento funciona, entre outras, uma Organização Não-Governamental (ONG) com fortes intervenções, sobretudo junto a jovens que enfrentam problemas sociais e familiares, atuando também na área de direitos humanos e cidadania, promovendo debates e ações de esclarecimento, com animação circense e espetáculos apelando à não-discriminação.

Num dos seus múltiplos espaços, o Bartô, situado na Biblioteca e no centro do qual se manteve um tanque de pedra, de construções anteriores, se apresentou no penúltimo domingo de Setembro a dupla brasileira “Dois do Samba”, formada pelo mineiro Dudu Nicácio e o carioca Rodrigo Braga. Ambos resumem de uma forma ímpar o espírito de cumplicidade musical contemporânea.

chapito_02O mineiro e o carioca já fazem parte das paradas de sucesso em seu país de origem, com apresentações desde as favelas de Belo Horizonte ao Palácio das Artes em São Paulo. O primeiro CD gravado pela dupla “Dois do Samba”, contabiliza no repertório 10 músicas cheias de atributos e participações de músicos do Rio (presenças luxuosas como a de Dona Sú do Jongo e Casuarina) e de Beagá (do virtuosismo do cavaquinhista Warley Henrique à contundência do coro das Meninas de Sinhá – recém ganhadoras dos prêmios Tim, Rival Petrobras e Cultura Viva/Ministério da Cultura.

chapito_03Depois do sucesso no Brasil, “Dois do Samba” atravessou o oceano com sua primeira turnê européia e se apresentaram em Barcelona e Paris. Se despediram do velho continente, partilhando as sonoridades do samba de dentro do tanque musical, com o convidado Chalo, o “Novo Trovador Angolano”, que já viveu no Brasil, juntando assim ao samba brasileiro o semba, o jongo, rebitas e kilapangas de Angola, num improviso afro-brasileiro.

chapito_04O intercâmbio cultural promovido pelas produtoras Manuela Tavares, angolana de ascendência cabo-verdiana, e a brasileira Claudia Góes, agradou o público que interagiu com os músicos dançando e cantando suas canções, encerrando assim mais uma noite de domingo no Chapitô com chave de ouro.

(fotos João Teixeira)
DOIS DO SAMBA - "Samba Morena"

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