3rd novembro, 2009

Projeto brasileiro replicado em Portugal

Foi lançada segunda-feira (2) em Portugal

a primeira “Bolsa de Valores Sociais” da Europa

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Celso Grecco

O auditório do Museu da Eletricidade, em Lisboa, com capacidade para 230 pessoas, foi pequeno para acolher as centenas de convidados que compareceram para assistir ao lançamento da primeira “Bolsa de Valores Sociais” (BVS) da Europa, um projeto criado em 2003 no Brasil, por iniciativa de Celso Grecco (Atitude – Associação pelo Desenvolvimento do Investimento Social), para financiar projetos de luta contra a pobreza e exclusão social. Em Lisboa, Celso lançou a BVS em parceria com três importantes instituições portuguesas: Euronext Lisboa e as Fundações Calouste Gulbenkian e EDP, sob o lema: “As boas ações estão sempre em alta!”.

bell_bvs_01Depois de um ano de preparação e organização para o lançamento do projeto em Portugal e, de acordo com Grecco, a BVS classificou quatro instituições, nomeadamente a “Dinova”, que trabalha na luta contra a toxicodependência, a “Cooperativa Terra Chã”, agência de desenvolvimento local, a “Operação Nariz Vermelho”, dos conhecidos doutores-palhaços dos hospitais e a “Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21” (APPT21).

nariz_vermelhoA Operação Nariz Vermelho teve o privilégio de ser a primeira instituição beneficiada pela BVS, com uma doação de 10 mil euros que foram entregues pelo Grupo Jerônimo Martins (da cadeia de supermercados Pingo Doce), representado por José Soares Santos, o qual também contribuiu pessoalmente com mil euros.

Representantes das organizações que apoiam a BVS deram o seu parecer sobre este inovador projeto social, que acaba de tornar Portugal o primeiro país da Europa a implementar a ação, e o segundo do mundo, depois do Brasil.
A BVS pode constituir “um salto qualitativo muito importante” na resposta aos problemas sociais, disse Isabel Mota, da Fundação Calouste Gulbenkian, acrescentando que “há uma grande generosidade em Portugal, mas temos todos a consciência de que precisamos de novas soluções”.

Para Miguel Athayde Marques, presidente da Euronext Lisboa, as iniciativas inseridas na BVS serão objeto de “seleção e escrutínio”, tal como as empresas cotadas em bolsa, e sujeitas a critérios de transparência “como numa bolsa financeira”. Athayde disse ainda que, para estarem cotadas nesta Bolsa, as empresas têm de dar garantias de idoneidade e transparência e, quem nela investe colhe um “dividendo social, que se mede na inclusão e diminuição das desigualdades”.

Além dos investidores do projeto, a nova Ministra do Trabalho, Maria Helena André, declarou: “Apelo a que os portugueses invistam nestes projetos, porque é fundamental que todos tenham um bocadinho de responsabilidade em melhorar aquilo que queremos que seja uma sociedade mais igual, com maior coesão social e, sobretudo com maior igualdade de oportunidades” – disse a ministra.

celso_greccoO criador da BVS, Celso Grecco, afirmou que o projeto em Portugal nasce de uma forma bem diferente do que no Brasil: “No Brasil, a bolsa, quando foi lançada em 2003, teve um pouco de dificuldade, porque não havia internet. Diferente do lançamento aqui. Aqui ela nasce mais interativa e num ambiente onde as pessoas podem escolher pela internet seguramente a organização que elas gostam e definir quanto eles querem comprar em ações e, mais ainda, acompanhar como seu dinheiro está sendo investido”. Acrescentou ainda que no Brasil a BVS fechou 2008 com um total de angariação de 12 milhões de reais.

Celso disse a “quadros-cultura.com” que esperava uma grande adesão, como se verificou, porque havia um grande entusiasmo no ar. “Durante todo o tempo de preparação, tivemos muito encorajamento, muito apoio, mas sempre somos pegos de surpresa; o brilho nos olhos das pessoas, o entusiasmo que testemunhei aqui; então, não tem como não ser uma surpresa”.

A partir de hoje, empresas ou cidadãos a título particular, podem acessar o site www.bvs.org.pt e escolher o projeto que desejam apoiar, com apenas 10 euros ou mais, e fazer o registro de investidor, o qual dá a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento da iniciativa que escolheram, bem como as contas relacionadas com as respectivas atividades.

(até ao momento, a BVS conseguiu angariar mais de 13 mil e 600 euros…)

(fotos João Teixeira, Alex Gandum e divulgação)

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29th outubro, 2009

Sílvia Nazário e Rogério Charraz

“Sotaques” – uma verdadeira fusão luso-brasileira

sotaquesA brasileira Sílvia Nazário e o português Rogério Charraz estrearam ontem à noite (28), na Casa da América Latina, em Lisboa, o brilhante espetáculo batizado por “Sotaques”.

Juntamente com três outros excelentes músicos – de Curitiba e residente em Portugal, Cláudio Kumar (viola e direção) e os portugueses João Coelho (Bateria) e José Canha (Baixo e Contrabaixo) – Sílvia Nazário e Rogério Charraz defenderam brilhantemente a sua tese de que o que separa os dois povos é apenas o sotaque, “uma vez que o mundo é redondo e um só”, disse Sílvia a “quadros-cultura.com”.banda_01

Rogério Charraz começou a festa da noite com uma introdução à música portuguesa, cantando temas que foram desde a música popular folclórica de regiões como o Alentejo, passando por baladas e músicas de intervenção anteriores à revolução dos cravos de 1974 e terminando, necessariamente, no fado! rogerio_silvia_01Já com Sílvia Nazário em palco, deram inicio a “cozinhar um cadilho” de músicas e melodias brasileiras e portuguesas, ele com uma voz que faz lembrar Rui Veloso e ela Carmen Miranda, cada um no seu sotaque, produzindo um “caldo cultural” de semelhanças e continuidades, num espírito de curiosidade e de união que atribuem aos navegantes de 1500, numa aguarela harmoniosa de infindável criatividade.rogerio_silvia_02

A platéia, formada por nacionalidades heterogêneas, entre elas portugueses e brasileiros, tiveram o privilégio de ouvir, entre outras, canções dos portugueses Jorge Palma, Fausto, Rui Veloso, Carlos do Carmo, Madredeus, Sérgio Godinho e Zeca Afonso, fundidas com temas dos ícones da musica brasileira, tais como Tom Jobim, Ernesto Nazareth, Chico Buarque, Catulo da Paixão,  Ginga, Vital Farias, e originais dos próprios Rogério Charraz e Sílvia Nazário.

banda_02A cantora brasileira é natural de Maceió, Alagoas e mora em Portugal desde 1990, quando esteve por aqui passando umas férias de dois meses, se apaixonou pela cidade de Lisboa, pelas suas gentes e também pela sua música, e de dois meses já se vão em dezanove anos.

O espetáculo “Sotaques”, que agora apresenta ao lado de Rogério Charraz, é “como um filho que acabou de nascer” e o estão apresentando ao público com muito carinho. E ainda por cima, sobre o belíssimo cenário dos quadros do artista plástico brasileiro Daniel Azulay, ainda em exposição.

“O sal das minhas lágrimas de amor criou o mar,
que existe entre nós dois
para nos unir e separar”
(Vínicius de Moraes)

sotaques_02


Muita criatividade, excelentes músicos, um verdadeiro intercambio cultural luso-brasileiro, um banho de novas cores e sonoridades que gritavam por ser descobertas! Estamos todos de parabéns, brasileiros e portugueses!

(fotos João Teixeira)

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