 22nd outubro, 2009
Daniel Azulay mostra seu trabalho pela primeira vez em Portugal e realiza neste sábado Atelier “Algodão Doce” para crianças
  
O já consagrado artista brasileiro Daniel Azulay comemora 30 anos de carreira e mostra seu trabalho em Lisboa, Portugal, com a exposição “A Porta”. É o quarto evento de Daniel Azulay na Europa, depois de duas exposições na Finlândia, “The Door” na AVA Galleria em 2007, “Cores Tropicais” (2009), no Centro Cultural Poleeni de Pieksämäki, e na Suécia, em 2007, “The Beginning of Life 1”, na Galleri Artes Brasil em Estocolmo. A mostra traz ao público português a visão criativa de um artista versátil que, ao longo de uma consistente carreira, atingiu grande maturidade no campo da pintura contemporânea.
 
 Daniel Azulay exibe orgulhoso seu passaporte português
Daniel Azulay marcou toda uma geração, que cresceu nos anos 70 e 80, com a “A Turma do Lambe-Lambe”, programa de caráter educativo e de entretenimento, para crianças e adolescentes, exibido durante 10 anos consecutivos, em dois canais de televisão, com seus personagens inesquecíveis, entre eles Gilda, Pita, Xicória e o Professor Pirajá e suas canções. O artista sempre manteve um conceito bem diferente da maioria da época, que se limitavam a exibir desenhos animados estrangeiros. Daniel Azulay foi um dos primeiros apresentadores infantis a estimular as crianças a pensar por si próprias e a desenvolver a criatividade através da arte, transformando caixas, garrafas e até suportes de papel higiênico em brinquedos, dos mais variados gostos. Artista plástico e gráfico, Daniel Azulay foi também um grande difusor do desenho artístico e da tradição oral dos contadores de histórias.
 Daniel Azulay e Embaixador Lauro Moreira
Daniel falou ao “quadros-cultura.com” um pouco do trabalho que tem realizado do outro lado do Atlântico.
Q.C – Está mostrando seu trabalho pela primeira vez em Lisboa, mesmo tendo raízes portuguesas, mas já expôs na Finlândia e na Suécia. Por que não iniciou por aqui e como tem sido a aceitação do publico?
Daniel – O fato de ter mostrado primeiro neste dois países e não em Portugal, sendo eu filho de uma portuguesa, aconteceu por acaso. Quanto a aceitação, tem sido muito boa, apesar de se tratar de um país de uma cultura bem diferente da nossa, mas valeu a pena.
Q.C – Além da exposição, teve alguma seqüência para lançamento de Cd, livros etc.?
Daniel – Não, lá só foi mesmo a exposição.
Q.C – E aqui em Lisboa, está com a exposição “A Porta”, mas pretende com isto abrir caminho para mostrar aos portugueses e à grande comunidade brasileira cá, que é a maior comunidade de estrangeiros aqui em Portugal, para seus outros trabalhos, já tão bem conhecidos no Brasil?
Daniel – Sim, eu até trouxe alguns exemplares dos meus livros e, claro, sem dúvida pretendo mostrar ao publico português a minha arte. Para as crianças, tenho neste sábado, das 10h às 12h30, aqui na Casa da América Latina, um Atelier “Algodão Doce”. Convido todas as crianças para que compareçam.

O Atelier de desenho “Algodão Doce” é de entrada gratuita.
A Exposição “A Porta” estará patente ao público até 30 de Outubro,
na Casa da América Latina, Av. 24 de Julho, 118-B, Lisboa.
Telef. 213 955 309
Email: geral@c-americalatina.pt
(fotos João Teixeira)
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 20th outubro, 2009
Festa à brasileira no DocLisboa 2009
A cultura brasileira está muito bem representada na grande festa internacional do cinema documental em Portugal que é o DocLisboa 2009, com um total de 9 filmes.
O Brasil compete em 3 categorias internacionais, com: “Acácio”, de Marília Rocha (longas-metragens), “A Casa dos Mortos”, de Débora Diniz (curtas metragens), e “De Volta À Terra Boa”, de Vicente Carelli (“Investigações”). Para além disso, estarão ainda em exibição no DocLisboa 2009 seis outros filmes.
Na seção “Heart Beat” – reservada a documentários onde a música é um elemento fundamental – encontramos dois sobre a vida e obra da cantora Maria Bethania, “Bethania Bem de Perto – A Propósito de um Show”(1966), de Júlio Bressane e Eduardo Escore, e “Pedrinha de Arruda” (2007), de Andrucha Waddington, para além de “Saravah”, do francês Pierre Barouh, rodado em 1969 no Rio de Janeiro e lançado há poucos anos, retratando os ancestrais Pixiguinha e João da Baiana, e os então bem jovens Maria Bethania, Paulinho da Viola e o saudoso Baden Powel.
Pierre Barouh deslocou-se (Domingo 18) propositadamente a Lisboa para apresentar pessoalmente o seu filme, exibido numa das maiores salas do festival, e aplaudido de pé por um público conhecedor, que contava com a presença marcante da comunidade brasileira, neste momento já a maior comunidade imigrante em Portugal. Marysa Alfaia, brasileira, que conheceu Pierre Barouh em Paris como atriz no final da década de 80, hoje cantora trabalhando e residindo em Lisboa, disse a “quadros-cultura.com” apreciar muito esta interligação da cultura brasileira com a européia. Pierre Barouh confessou a “quadros-cultura.com” ter ficado muito emocionado em rever as imagens feitas há tanto tempo, e muito agradecido pelo carinho com que foi recebido por portugueses e brasileiros. Revelou ainda que está a trabalhar em novos projetos sobre o Brasil. O diretor do documentário juntou-se depois ao público, numa festa alusiva ao filme, que se prolongou pela noite dentro, e todos curtiram e dançaram ao som das canções de “Saravah”, com uma banda brasileira “ao vivo e a cores”.
Ainda nesta seção, outro importante documentário apresentado ontem (2ª feira 20) foi “Saudade do Futuro”, realizado por Marie Clémence (natural de Madagascar) e o brasileiro César Paes, casal de realizadores sediados em Paris, da Laterit Productions. “Saudade do Futuro” narra com muita precisão a história dos nordestinos pobres que viajam para o sudeste com objetivo de encontrar fama e fortuna, ou pelo menos uma vida melhor, na “cidade grande” de São Paulo. Marie Clémence, que está em Lisboa para divulgar o documentário e faz também parte da equipe de jurados na competição internacional de curtas-metragens, disse a “quadros-cultura.com” que durante o processo de realização de “Saudade do Futuro” testemunhou bem de perto a discriminação que nordestinos sofrem em São Paulo, e que apesar do filme já ter participado de festivais no Brasil e no exterior, com exibições nos Estados Unidos e Europa, ainda não conseguiu vender o documentário para o Brasil. Confessou já ter ouvido comentários do género “nordestinos não vão ao cinema”. “Saudade do Futuro” terá repetição 6ª feira, dia 23, pelas 19h30 na Sala 1 do Cinema São Jorge. Os nordestinos em Lisboa estarão lá em peso!
Já na seção “FootDoc”, onde o futebol é muitas vezes tema central de filmes, temos um documentário narrando a história do jogador Garrincha, considerado um dos melhores de sua época, “Garrincha, Alegria do Povo” (1966), de Joaquim Pedro de Andrade.
O brasileiro crítico de cinema e diretor do Festival Internacional “É Tudo Verdade” (Cinemateca Brasileira de São Paulo e Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro), Amir Labaki, apresenta no DocLisboa 2009, em “Sessões Especiais”, a sua estreia como diretor de longas-metragens, com uma homenagem ao cineasta europeu Jorgen Leth, “27 Cenas Sobre Jorgen Leth” (2008).
“Qual a nacionalidade de um filme? São os autores, é o dinheiro, o local das filmagens?” – foi um questionamento colocado pela diretora malgache e membro do juri internacional DocLisboa 2009, Marie Clémence Paes, no seu português impecável – “No Brasil nunca ninguém me perguntou de onde eu vinha. Já na França sempre me perguntam isso”. A riqueza da cultura brasileira, na sua abrangência e diversidade, consegue esta infiltração cultural global, como é bem patente neste DocLisboa 2009.
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