Choro entre Coches Reais
Num final de tarde fria e chuvosa de domingo (29), cerca de meio milhar de pessoas encheram o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, para assistir a uma viagem musical realizada há 5 anos pelo Museu, no último domingo de cada mês.

Raspa de Tacho
Neste último domingo de Novembro, deu-se seguimento ao programa “Viajando pelos famosos café-concerto do mundo”, sendo oferecido ao público o regresso ao famoso Café Papagaio do Rio de Janeiro, fundado em 1870 pelo português Domingos Ferreira Lino, sem dúvida o mais típico dos cafés brasileiros. Um conjunto composto de harpa, flauta e dois violinos executava na época músicas de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, animando um ambiente descontraído, do qual participavam Paula Nei, Bastos Tigre, Raul Pederneiras, Olegário Mariano e outras personalidades de destaque da Capital da República.
Num ambiente dominado pela pompa e luxo dos coches reais expostos, sua talha dourada reflectindo uma luz âmbar, lembrando a antiga iluminação a gás dos cafés do início do século passado, o público teve o prazer de desfrutar da popular música brasileira apresentada pelo grupo de choro “Raspa de Tacho”, formado por dois portugueses (João Vaz, sax soprano, e João Fião, percussão) e dois brasileiros (Gabriel Godoi, violão 7 cordas, e Tércio Borges, cavaquinho).
O grupo apresentou um repertório de seu recém-editado CD “Choro Malandrinho”, entre elas composições de K-Ximbinho, Waldyr Azevedo, Ernesto Nazareth, Frederico de Freitas e Pixinguinha, para além de originais próprios.

Belle Époque Salon Orquestra e Raspa de Tacho, com Juliana Maujer
A segunda parte do concerto ficou por conta da “Belle Époque Salon Orquestra”, formada por sete músicos, três romenos, dois portugueses, um norte-americano e a cantora lírica brasileira Juliana Maujer, num conjunto de violinos, viola de arco, contrabaixo, piano de cauda e flauta, que apresentaram um repertório com temas brasileiros: choro, frevo e lundus, de nomes como Jayme Ovalle, Joaquim Callado, Catulo Cearense, Zequinha Abreu e Carlos Jobim.

Pintor Daniel Monteiro executando sua arte
Além do concerto, o público pôde ainda assistir à criação de uma obra de arte com o pintor Daniel Monteiro. O artista retratou a óleo uma senhora que se candidatou como voluntária, ao vivo durante o concerto. “Nunca tinha pintado ao vivo diante de audiência tão grande”, declarou o pintor emocionado.
O concerto foi encerrado com o grupo “Raspa de Tacho” junto à “Belle Époque Salon Orquestra” e a cantora lírica Juliana Maujer, interpretando em conjunto “Carinhoso” (Pixinguinha).
Silvana Bessone, diretora do Museu Nacional dos Coches, está de parabéns por mais esta iniciativa – e a cultura brasileira mais uma vez se afirma por sua qualidade e universalidade.
(fotos João Teixeira)


O simpático carioca subiu ao palco com o brasileiro Ciro Cruz (baixo) e o angolano Ruca Rebordão (percussão) e cantou e encantou a plateia com as músicas do seu CD lançado no Brasil este mês, “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, sem esquecer o seu anterior trabalho. Entre os sons, “A Morena”, “Brasileiro” “A Beth Está Chegando”, “O Gringo”, e o sucesso gravado por seu parceiro Lenini, “Hoje eu quero sair só”.
A noite contou com a participação em palco de sua amiga de vestibular no Rio de Janeiro, a intérprete e compositora portuguesa, Pilar Homem de Melo, neta do poeta português, professor e folclorista português, Pedro Homem de Melo.
Depois de encantar o público lisboeta, Mu Chebabi segue para Alemanha, levando consigo o repertório carioca “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Mas prometeu voltar em breve, para uma grande campanha, com concertos nas principais salas e banda completa, na terra mãe da língua portuguesa.



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