6th maio, 2010

Brasileiros apresentam a 2a edição do Festival Tordesilhas na Casa Fernando Pessoa

“Festival Tordesilhas – Poetas da Língua Portuguesa”

A 2ª edição do “Festival Tordesilhas Poetas da Língua Portuguesa” teve início 4ª feira (05) e decorre até dia 7 de Maio, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, com a presença de poetas de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal.

Inês Perosa: "Fernando Pessoa é mais valorizado no Brasil que em Portugal".

O Festival Tordesilhas, conforme o nome indica, aludindo ao tratado de 1494 que estabelecia uma linha de separação entre Portugal e Espanha com referência aos territórios do Novo Mundo, pretendendo “desconstruir” essa mesma separação, é um encontro internacional que reúne poetas da língua portuguesa, tendo como curadoria os poetas brasileiros Virna Teixeira e Cláudio Daniel. Seu principal objetivo é ampliar o diálogo entre os autores de língua portuguesa, para um ciclo de debates, recitais e performances.

Cláudio Daniel:" Tenho verdadeira paixão por poesia".

A abertura do evento contou com a presença da presidente da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, que agradeceu aos curadores terem escolhido a Casa Fernando Pessoa para realizar a 2ª edição de Tordesilhas, e o apoio da Embaixada do Brasil em Portugal. Inês Pedrosa disse estar muito satisfeita com o carinho e reconhecimento que o Brasil tem pelo poeta Fernando Pessoa: “Para mim é sempre uma honra realizar eventos do Brasil na Casa Fernando Pessoa. Sei o quanto ele é valorizado lá; até um seriado numa TV privada (TV Globo) já foi feito, enquanto que aqui a RTP ainda não o fez”. Inês Pedrosa disse ao “Quadros-cultura.com” que fica admirada com o carinho que o povo brasileiro tem por Fernando Pessoa, sendo que no início de Outubro deste ano haverá outro evento do Brasil na Casa Fernando Pessoa – um colóquio sobre o escritor brasileiro Guimarães Rosa.

Virna Teixeira"Poesia ajuda ampliar o diálogo entre os autores de língua portuguesa".

No primeiro dia de “Tordesilha”aconteceu o diálogo literário entre Brasil e Portugal, com os brasileiros Horácio Costa e Cláudio Daniel, e o português Casimiro de Brito com moderadoção de Virna Teixeira. O recital foi feito pela portuguesa Ana Marques Gastão, a brasileira Simone Homem de Mello, Horácio Costa, e os portugueses Nuno Júdice e Jorge Velhote.

O evento contou ainda com a apresentação do livro “Amo Agora” e da plaquete “Amor Cego & Outros Poemas de Amor”, com Casimiro de Brito e Marina Cedro, e exposição de revistas literárias e livros de poesia de língua portuguesa.

Para quem não foi ao primeiro dia da 2ª edição do Festival Tordesilhas, na Casa Fernando Pessoa, poderá ir hoje e amanhã e assistir à programação abaixo:

Dia 6 de Maio:
19h Debate – A poesia contemporânea de língua portuguesa na África, com Jorge Arrimar (Angola), Jorge Viegas (Moçambique) e Delmar Maia Gonçalves (Moçambique). Moderador: Claudio Daniel (Brasil).
20h Recital – com Jorge Arrimar (Angola), Catarina Nunes de Almeida (Portugal), Jorge Viegas (Moçambique), Aurelino Costa (Portugal), Delmar Maia Gonçalves (Moçambique), Jorge Melícias (Portugal).
21h Apresentação do livro “Escrito em Osso”, do poeta Claudio Daniel, publicado pela editora Cosmorama. “Video-corpo-poema”, com Eduardo Jorge (Brasil).
Dia 7 de Maio:
19h Debate – A poesia de língua portuguesa na era da globalização. Com João Miguel Henriques (Portugal) e Virna Teixeira (Brasil). Moderador: Eduardo Jorge (Brasil)
20h Recital – Eduardo Jorge (Brasil), João Miguel Henriques (Portugal), Ruy Ventura (Portugal), Virna Teixeira (Brasil).
21h Apresentação do livro “Ravenalas”, de Horácio Costa (editora Demônio Negro) Apresentação da plaquete “Entulho”, de João Miguel Henriques, pela Arqueria Editorial

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18th março, 2010

Flávia Bittencourt em tournê pela Europa

Uma nordestina no velho continente

Flávia Bittencourt, uma jovem nordestina que deixou sua terra natal e um curso de farmácia numa universidade federal, para realizar um sonho que descobriu ainda no colegial: ser cantora profissional.

Flávia começou as primeiras apresentações em São Luís, Maranhão, onde residia com sua família. Mas logo percebeu que precisava se aperfeiçoar mais na profissão e mostrar seu canto ao maior número de pessoas possível. Em 2000, enchendo-se de coragem disse à família que ia mudar para a maior metrópole da América Latina – São Paulo.

Seguiu viagem sozinha, apenas acompanhada do sonho de fazer aquilo que mais gosta: cantar! Além do sonho e da bagagem, tinha o endereço de uma amiga com quem ia dividir uma casa.

Lá chegando, entrou para uma faculdade de musica, onde estudou canto erudito e popular. Mas logo teve de abandonar, devido às solicitações por suas apresentações em casas de espetáculo. Em 2005 gravou seu 1º CD, “Sentidos”, uma produção independente. Sua voz encorpada logo chamou a atenção da mídia e uma de suas interpretações, “Terra de Noel”, de Jozias Sobrinho, fez parte da trilha sonora de “América”, a popular novela da Tv Globo Brasil. “Sentidos” acabou por ser lançado pela gravadora Som Livre.

O pai de Flávia, apesar de desejar que a filha tivesse uma profissão por formação acadêmica em farmácia, falou da filha ao grande cantor, compositor e sanfoneiro Dominguinhos, que conheceu num congresso. O mestre da musica popular brasileira não esqueceu, e quando esteve numa apresentação em São Paulo com Flávia, logo descobriu a menina cantora de quem seu pai tão orgulhosamente havia falado.

Os dois artistas se tornaram grandes amigos, e este ano Flávia gravou o CD “Todo Domingos”, em homenagem ao mestre, de quem disse ter aprendido muito, com seu talento, simplicidade e simpatia.

E foi para o lançamento de “Todo Domingos” que Flávia, acompanhada de três excelentes músicos – Leandro Saramago (violão 7 cordas), Dudu Oliveira (flauta e bandolim) e Netinho (pandeiro e percussão) – veio à Europa, mostrar aqui, do outro lado do oceano, por que em seu país é considerada uma das mais talentosas revelações musicais.

Em sua estreia em Lisboa, foi entrevistada para a rádio e televisão, onde colocou em palco todo o seu talento e carisma nortenho, e fez belas apresentações, no Bar Restaurante Speakeasy, no Onda Jazz (com o percussionista angolano Ruca Rebordão) e no Chapitô, onde foi muito bem recebida por uma plateia que interagia com aplausos e até acompanhava Flávia nos refrães. Antes de uma destas apresentações, Flávia falou a quadros-cultura.com sobre sua trajetória musical:

Quadros-Cultura.com – Explica como uma menina da classe média maranhense vai morar sozinha em São Paulo e cantar na noite paulistana.
Flávia Bittencourt
– No início foi bem difícil convencer meus pais de que eu queria mesmo era ser cantora e não farmacêutica, como minha mãe. Queria estudar musica e seguir minha carreira de cantora. Minha mãe foi quem primeiro me apoiou. Falou com meu pai e convenceu-o de que era aquele o meu sonho e que era para me deixar ir morar em São Paulo.

QC – Em São Paulo como tudo aconteceu?
FB – Logo que cheguei, me matriculei numa faculdade de música. Mas quando comecei a me apresentar nos bares e nos teatros do SESC tive que deixar, porque os horários não davam para cantar e frequentar as aulas ao mesmo tempo e eu também precisava ganhar dinheiro para me manter.

QC – E o forró, como entrou para seu repertório musical?
FB – Eu sempre ouvia muito lá no Maranhão; como você sabe, nas festas juninas a gente ouve muito. E, quando fui fazer uma apresentação no Teatro Artur Azevedo, fiz uma pesquisa de músicos maranhenses: Jozias Sobrinho, João Teixeira e vários outros. Foi este trabalho que levei para São Paulo. Na verdade, eu já tinha esta tendência para cantar músicas regionais, e lá ficou mais forte ainda, porque bateu a saudade da minha terra.

QC – E o encontro com o Dominguinhos como aconteceu?
FB – Conheci o Dominguinhos em São Paulo, num show. Ele assistiu uma apresentação minha, gostou e me convidou para cantarmos uma música juntos. A partir daquele dia ficamos amigos. Gostei muito dele, não só como cantor, mas especialmente como ser humano; uma pessoa muito simples, humilde, muito humano; aprendi muito com ele, e daí resolvi gravar “Todo Domingos” em sua homenagem.

QC – O que a música de raiz representa para você?
FB – Para mim é como o próprio nome indica: fala das nossas raízes, do nosso dia-a-dia, como “Lamento Sertanejo” de Dominguinhos e Gil.

QC – E, para vir se apresentar aqui na Europa, você contou com algum apoio?
FB – Tive apoio do Estado do Maranhão. Fiz um projeto indicando os países onde ia me apresentar por aqui – Portugal, França, Itália e Bélgica – daí eles nos pagaram as estadias e as passagens.

QC – Como aconteceu o convite para apresentar seu trabalho aqui na Europa?
FB – Tudo começou em 2007, quando uma empresária francesa, Clélia Morali, tomou conhecimento do meu trabalho através de um cantor brasileiro, o Marcos Sacramento. Fui fazer uma divulgação do meu primeiro CD “Sentidos”, gostaram e agora estou de volta e me apresento dia 19 em Paris, 20 em Toulouse, 27 em Marselha, 30 em Toulon e dia 31 em Nice. Foi a partir deste convite que organizámos os outros concertos na Itália e Bélgica.

(fotos João Teixeira)
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